Quatro anos após a primeira Cúpula dos Sistemas Alimentares da ONU, as especialistas Shakuntala Haraksingh Thilsted — presidente do Comitê Consultivo Científico do Centro de Coordenação de Sistemas Alimentares da ONU e World Food Prize 2021 — e Ismahane Elouafi — diretora executiva de gestão do CGIAR — afirmam que o mundo necessita de ações mais ambiciosas para acabar com a fome e transformar os sistemas alimentares.
A cúpula de 2021 estimulou a elaboração de trajectórias nacionais e compromissos: mais de 125 países adotaram caminhos nacionais e quase 300 compromissos foram feitos pela sociedade civil para acelerar a ação. Entretanto, novos conflitos, extremos climáticos crescentes e a incerteza geopolítica pressionaram o progresso. A desnutrição, a pobreza e a desigualdade mantêm níveis elevados e serão objecto de um balanço este mês na Etiópia.
Organizações científicas e de pesquisa, entre elas o CGIAR, apoiaram avanços em nutrição, no desenvolvimento de variedades e raças melhoradas de culturas, gado e alimentos aquáticos, e na integração de quadros de sistemas alimentares nas políticas públicas. Exemplos concretos incluem a ampliação de merenda escolar com produtos locais — o Quénia procura garantir que cada criança possa receber uma refeição saudável na escola até 2030 — e milhões de crianças que beneficiaram‑se de alimentos biofortificados, como batata‑doce, arroz, milho, trigo e mandioca, desenvolvidos por cientistas do CGIAR.
A Etiópia identificou 24 soluções transformadoras, incluindo cadeias de abastecimento pecuárias resilientes ao clima, e programas comunitários de melhoramento elevaram a renda de agricultores em 20% em alguns casos. O Vietname elaborou um Plano de Ação Nacional para transformar os sistemas alimentares, integrado ao Programa Nacional‑Alvo de Redução da Pobreza. Apesar desses avanços, dietas saudáveis continuam inacessíveis para quase 3 bilhões de pessoas, incluindo muitos dos 500 milhões de pequenos agricultores. Os sistemas alimentares ainda contribuem com cerca de um terço das emissões globais e com 80% do desmatamento mundial. Os autores recomendam investimento contínuo em pesquisa agrícola, recursos governamentais, infra‑estrutura, partilha de conhecimento e apoio a modelos inovadores de financiamento — incluindo ligar a reforma dos sistemas alimentares ao financiamento climático — além de maior colaboração e confiança entre países. O CGIAR Flagship Report 2025 é apresentado como ponto de partida para decisores que procuram soluções baseadas em evidências.
Palavras difíceis
- trajectória — plano ou caminho previsto para políticastrajectórias
- compromisso — acordo público ou promessa oficial de açãocompromissos
- desnutrição — estado de saúde causado por alimentação inadequada
- biofortificado — alimentos enriquecidos com nutrientes essenciaisbiofortificados
- resiliente — capaz de resistir e recuperar de choquesresilientes
- partilha de conhecimento — troca de informação e práticas entre organizações
- desmatamento — remoção de florestas que reduz cobertura vegetal
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Perguntas para discussão
- Quais exemplos de progresso nacional o texto menciona? Comente dois deles.
- De que forma ligar a reforma dos sistemas alimentares ao financiamento climático pode aumentar o impacto das ações?
- Quais barreiras o texto aponta que dificultam acabar com a fome e transformar os sistemas alimentares?
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Filip Ondrušek é um chef austro-eslavo que vive em São Paulo e liga a comida à história nacional. Segue princípios do Slow Food e Demeter, usa produtos sazonais e foi convidado ao Traditional Cheese Festival da Bulgária no outono de 2025.