Em 2025 os Estados Unidos registraram um grande surto de sarampo depois da queda nas taxas de vacinação infantil após a pandemia de COVID-19. Foram relatados mais de 2.000 casos em 43 estados, o maior número desde que a doença foi declarada erradicada em 2000. A cobertura da vacina MMR entre crianças em idade escolar estava em torno de 93%, abaixo do nível de 95% frequentemente citado para a imunidade coletiva.
Pesquisadores da Johns Hopkins entrevistaram 2.970 adultos em agosto de 2025 para estudar a relação entre hábitos de consumo de notícias e crenças sobre a vacina MMR. O estudo foi publicado na revista Vaccine e perguntou onde as pessoas obtinham notícias e informação de saúde, além de como se sentiam em relação à vacinação.
Houve achados consistentes: 87% dos participantes acompanhavam as notícias e 83% disseram que os benefícios da MMR superavam os riscos, mas cerca de um em cada seis declarou-se hesitante. O estudo encontrou que o consumo regular de veículos digitais de nova direita estava associado a mais do que o dobro da probabilidade de hesitar, em comparação com quem nunca consumia esses veículos. Adultos hesitantes também confiavam mais em fontes de saúde não-autoritativas, como prestadores alternativos, influenciadores nas redes sociais e boletins como o Children’s Health Defense. Em contraste, quem não era hesitante consumia menos essa nova mídia e mostrava maior confiança em médicos, o que teve efeito protetor.
Os hesitantes apresentaram características demográficas e políticas distintas: 62% tinham menos de 44 anos, eram mais propensos a ser pais, e tendiam a ser minorias raciais, de baixa renda e com menor nível educacional. Politicamente, 39% identificaram-se como Republicanos e 33% como Independentes; 43% dos hesitantes associavam-se ao movimento Make America Healthy Again (MAHA), contra 27% entre os não hesitantes. Os autores concluem que onde e como as pessoas obtêm informação importa para crenças sobre vacinas e sugerem que comunicadores de saúde pública considerem as fontes online usadas pelo público ao desenhar estratégias para aumentar a vacinação.
- Veículos digitais citados: Breitbart, Newsmax, Zero Hedge
- Fontes não-autoritativas mencionadas: prestadores alternativos e influenciadores
- Boletim citado: Children’s Health Defense
Palavras difíceis
- surto — aumento rápido de casos de doença numa área
- cobertura — percentagem da população que recebeu uma vacina
- imunidade coletiva — proteção da população quando alta porcentagem vacinada
- hesitar — mostrar dúvida ou recusar temporariamente a vacinação
- veículo digital — site ou plataforma de notícias na internetveículos digitais
- influenciador — pessoa que usa redes sociais para influenciar opiniõesinfluenciadores
- não-autoritativo — sem reconhecimento ou validação por autoridades de saúdenão-autoritativas
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Como os comunicadores de saúde pública podem adaptar suas mensagens para alcançar pessoas que consomem veículos digitais de nova direita?
- Que estratégias seriam eficazes para aumentar a confiança em médicos entre pais jovens hesitantes?
- Quais medidas práticas podem reduzir a influência de fontes não-autoritativas e influenciadores que espalham dúvidas sobre vacinas?
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