Pesquisadores, em trabalho publicado na revista Science Advances, identificaram uma rota nova entre pulmão e cérebro que ajuda a explicar a ligação entre tabagismo e neurodegeneração. Estudos anteriores já mostraram que fumar muito na meia-idade esteve ligado a um risco mais do que dobrado de Alzheimer e outras demências décadas depois. A equipe observou que a nicotina ativa células neuroendócrinas pulmonares (PNECs), que então liberam exossomos — pequenas vesículas com produtos celulares.
Usando PNECs induzidas a partir de células-tronco pluripotentes humanas, os cientistas viram que a exposição à nicotina faz essas células liberar muitos exossomos ricos em serotransferrina. Essa proteína altera o equilíbrio de ferro nos neurónios, gerando marcas associadas à demência.
Os autores mencionam que o nervo vago pode conduzir o sinal até o cérebro. Também apontam que a desregulação do ferro impulsiona estresse oxidativo, disfunção mitocondrial e aumento da α-sinucleína, e que a equipe agora testa se bloquear exossomos pode virar terapia; contudo, efeitos diretos em humanos ainda estão a anos de distância.
Palavras difíceis
- rota — caminho ou ligação entre dois pontos
- neurodegeneração — morte ou perda progressiva de neurónios
- exossomo — pequena vesícula liberada por célulasexossomos
- serotransferrina — proteína que transporta ferro no corpo
- estresse oxidativo — dano celular causado por espécies reativas
- disfunção mitocondrial — falha no funcionamento das mitocôndrias celulares
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Perguntas para discussão
- Você acha que estes resultados devem fortalecer campanhas contra o tabagismo? Por quê?
- Como você imagina que uma terapia que bloqueie exossomos poderia ajudar pessoas em risco de demência?
- Além de evitar fumar, que outras atitudes pessoais podem reduzir o risco de demência?
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