As autoridades de saúde e a Organização Mundial da Saúde coordenam medidas para conter um surto de ébola na zona de Bulape, província de Kasai, na República Democrática do Congo. Desde o final de agosto foram registados 48 casos confirmados e prováveis e 31 mortes. A OMS considera Angola de alta prioridade devido ao risco de transmissão pelas fronteiras; Burundi, República Centro‑Africana, Congo, Ruanda, Sudão do Sul, Uganda, Tanzânia e Zâmbia têm risco moderado.
Uma campanha de vacinação com a vacina Ervebo começou em 14 de setembro e pelo menos 600 pessoas foram vacinadas, incluindo profissionais de saúde e contactos de casos. Testes em Kinshasa identificaram a estirpe Zaire no primeiro caso, uma mulher grávida de 34 anos internada em 20 de agosto. O Grupo Coordenador Internacional para o Abastecimento de Vacinas aprovou o envio de cerca de 45.000 doses adicionais para a RDC.
Cerca de 50 especialistas da OMS apoiam as equipas locais e foi instalado um centro de tratamento. Os Africa Centres for Disease Control and Prevention mobilizaram uma equipa de campo para reforçar a vigilância comunitária. O rastreio de contactos subiu de 19% há duas semanas para mais de 90% e quase 950 contactos estão a ser monitorizados.
Uma prioridade chave é a vigilância nos pontos de entrada, especialmente na fronteira entre Angola e a RDC, e a monitorização dos movimentos com a Organização Internacional para as Migrações. As autoridades salientam que vigilância contínua, comunicação rápida de doentes, observação de contactos por 21 dias, vacinação de quem está em risco e evitar enterros inseguros são essenciais para conter o surto.
Palavras difíceis
- surto — aumento rápido de casos de doença
- estirpe — variante ou linhagem de um vírus
- vigilância — observação contínua de saúde pública
- rastreio — procura e seguimento de pessoas expostas
- contacto — pessoa que esteve em proximidade com doentecontactos
- vacinar — administrar imunização contra uma doençavacinadas
- enterro — ato de sepultar um corpo após morteenterros
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Perguntas para discussão
- Quais das medidas mencionadas no texto (vigilância nos pontos de entrada, vacinação, observação de contactos, evitar enterros inseguros) você considera mais eficaz para reduzir a transmissão nas fronteiras? Explique porquê.
- Que dificuldades práticas podem existir para monitorizar quase 950 contactos e como as equipas locais podem superar esses desafios?
- De que forma a vacinação de profissionais de saúde e contactos diretos pode influenciar o curso de um surto, segundo o texto?
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