A mudança climática no Quênia tem ampliado a exposição das pessoas à radiação ultravioleta, especialmente de quem trabalha ao ar livre. Agricultores, trabalhadores da construção e vendedores ambulantes passam longas horas sob um sol mais intenso. Sylvia Muteshi, que trabalha em plantações de chá em Kakamega há 8 anos, relata pele mais escura e manchas duradouras. Em Nairóbi, o motociclista boda boda Joseph Andove usa um guarda-chuva para se proteger do sol.
Os dados do Kenya Meteorological Department mostram uma tendência de aquecimento. Patricia Nying'uro afirma que as temperaturas aumentaram significativamente e que algumas regiões, sobretudo a costa e partes do oeste, aqueceram até 2.1 graus Celsius desde o início dos registos. Ela destaca que março, pouco antes da estação das chuvas, apresentou alguns dos maiores aumentos e que a redução da cobertura de nuvens permite que mais radiação UV alcance o solo. Além disso, a localização equatorial do país e a altitude elevada aumentam a exposição à radiação.
Especialistas alertam que a pele mais escura não oferece proteção total. Wangai Mwatha explica que o sol hoje é mais forte por causa da maior intensidade de UV, mais superfícies reflexivas e menos nuvens. Médicos relatam aumento de condições como:
- dermatite de contacto por foto e melasma, com inflamação e manchas;
- distúrbios de pigmentação, fotoenvelhecimento e alergias ao sol;
- infecções fúngicas e bacterianas que prosperam em ambiente quente e húmido;
- cânceres de pele não melanoma e tumores em locais inesperados em peles escuras.
Bianca Tod observa que a melanina oferece alguma proteção, até um FPS de 13, mas não impede todos os danos. O câncer de pele é menos comum em peles escuras, mas costuma ser diagnosticado tardiamente por falta de sensibilização e acesso aos cuidados. Um pequeno tubo de protetor solar custa mais do que o salário de um dia para muitos trabalhadores informais.
Entre as medidas recomendadas estão chapéus de aba larga, mangas compridas, sombra e hidratantes simples como vaselina, manteiga de karité ou óleo de coco. Pamela Mwange ressalta lacunas em dados sobre níveis de UV e nos registos de saúde. A Estratégia de Mudança Climática e Saúde do Quênia (2023-2027) pretende tornar o sistema de saúde mais resiliente, melhorar a recolha de dados e instalar monitorização de UV. Iniciativas locais incluem plantio de árvores, áreas sombreadas para assembleias escolares e campanhas cantonais que aconselham evitar o sol directo.
Palavras difíceis
- melanina — Pigmento natural da pele e cabelo
- fotoenvelhecimento — Envelhecimento da pele causado pela exposição solar
- sensibilização — Aumento da consciência ou informação sobre um problema
- resiliente — Que resiste e recupera de situações adversas
- monitorização — Ação de medir e acompanhar níveis ou sinais
- melasma — Manchas escuras na pele, normalmente no rosto
- exposição — Contato ou proximidade com algo, neste caso solar
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Quais das medidas recomendadas no texto (chapéus, mangas compridas, sombra, hidratantes) seriam mais fáceis de aplicar entre trabalhadores informais? Por quê?
- Que vantagens e limites tem a instalação de monitorização de UV, segundo o artigo, e como isso pode ajudar o sistema de saúde?
- O texto menciona o custo do protetor solar como barreira. Que outras soluções económicas ou comunitárias poderiam reduzir o risco de danos pela radiação solar?
Artigos relacionados
Vigilância do esgoto para enfrentar a resistência aos antibióticos na Índia
Pesquisadores analisaram águas residuais de quatro cidades indianas e encontraram muitos genes de resistência. Autoridades planejam ampliar a vigilância de esgoto como ferramenta de baixo custo, mas críticos apontam falhas na implementação.
Fibra de trigo protege camundongos contra inflamação intestinal
Estudo em camundongos mostra que fibra de trigo, presente em pães integrais, leva bactérias intestinais a produzir compostos anti-inflamatórios. Pesquisadores dizem que isso pode explicar parte do aumento de doenças inflamatórias intestinais.