A COP30, realizada em Belém, terminou com resultados mistos: foi aprovado um amplo pacote financeiro, mas ficaram vagas as ações concretas para reduzir o uso de combustíveis fósseis. O pacote prevê mobilizar US$1.3 trillion anualmente até 2035, dobrar o financiamento para adaptação até 2025 e triplicá‑lo até 2035, pede a operacionalização do fundo para perdas e danos e lança duas novas ferramentas, Global Implementation Accelerator e Belém Mission to 1.5°C, para fortalecer a implementação das metas climáticas.
As negociações foram marcadas por textos de rascunho falhados e por uma interrupção de emergência após um incêndio num pavilhão; várias pessoas receberam tratamento por inalação de fumo. Na questão dos combustíveis fósseis, mais de 80 países apoiaram a proposta brasileira por um roteiro global de eliminação progressiva, mas o texto final regressou à formulação consensual da COP28 dos Emirados Árabes Unidos, que fala em "transição afastando‑se dos combustíveis fósseis" sem prazos ou mecanismos. Observadores disseram haver profundas rachas geopolíticas e que as discussões vão continuar por um processo independente antes da COP31.
Relatos técnicos reforçam a urgência das ações. O cientista Carlos Nobre afirmou que o uso de combustíveis fósseis deve chegar a zero entre 2040 e 2045 para evitar uma provável subida de 2.5 degrees Celsius, que ameaçaria recifes de coral, a floresta Amazônica e a camada de gelo da Groenlândia. O Emissions Gap Report 2025 da UNEP conclui que a implementação total dos planos nacionais atuais ainda resultaria em um aquecimento de 2.3 to 2.5 degrees, enquanto as políticas em vigor apontam para 2.8 degrees; o relatório afirma que uma ultrapassagem temporária de 1.5 degrees é "muito provável" na próxima década.
As necessidades de adaptação permanecem elevadas: o Adaptation Gap Report 2025 da UNEP estima que países vulneráveis precisarão de até US$365 billion por ano até 2035. O financiamento público internacional para adaptação foi de US$26 billion em 2023, abaixo dos US$28 billion em 2022. Alguns defensores elogiaram a promessa de triplicar o financiamento, mas pediram que os fundos sejam doações previsíveis e acessíveis diretamente a povos indígenas e comunidades locais, e alertaram que a mesa ministerial pode não produzir um processo de implementação claro. Ao mesmo tempo, o relatório Global Landscape of Climate Finance 2025 registra que o financiamento climático global atingiu US$1.9 trillion em 2023, e observadores disseram que o financiamento público internacional deveria, pelo menos, cumprir a meta de US$300 billion acordada na COP29 em Baku até 2035.
Palavras difíceis
- mobilizar — conseguir ou reunir recursos e dinheiro
- adaptação — mudanças nas sociedades para enfrentar o clima
- operacionalização — transformar um plano ou fundo em prática
- perdas e danos — danos e perdas causados por eventos climáticos
- combustíveis fósseis — combustíveis vindos de petróleo, carvão e gás
- inalação — ato de respirar fumaça ou gases nocivos
- triplicar — tornar algo três vezes maior em quantidadetriplicá‑lo
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Perguntas para discussão
- De que formas o pacote financeiro aprovado pode ajudar países vulneráveis, segundo as necessidades mencionadas no texto? Dê razões.
- Por que defensores pediram que os fundos sejam doações previsíveis e acessíveis diretamente a povos indígenas e comunidades locais?
- Que consequências o texto associa a não reduzir o uso de combustíveis fósseis a zero até 2040–2045? Como isso afetaria ecossistemas e sociedades?
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