Uma coorte longitudinal comparou recém-nascidos de famílias Old Order Mennonite (OOM) na região dos Finger Lakes, em Nova York, com famílias urbanas e suburbanas em Rochester. O trabalho, publicado em Science Translational Medicine e liderado por Kirsi Järvinen-Seppo, do Golisano Children’s Hospital do University of Rochester Medical Center, acompanhou mães e bebês da gravidez até o primeiro ano e coletou sangue do cordão, sangue do lactente, fezes, saliva e leite humano para análises imunológicas.
Os lactentes expostos ao ambiente agrícola exibiram sinais de maturação imune mais precoce: mais células B “experientes”, maior número de células de memória e células B IgG+. Esses bebês também apresentaram níveis mais altos de anticorpos IgG e IgA no sangue, saliva e fezes, enquanto as mães OOM tinham IgA mais elevada no leite. Em relação a alergias alimentares, os lactentes OOM tiveram níveis maiores de IgG4 específicos para ovo e as mães OOM apresentaram mais IgA específica para ovo no leite. Havia um gradiente claro de anticorpos no leite materno e menor probabilidade de alergia ao ovo quando esses anticorpos eram mais elevados; porém os autores dizem que não podem provar causalidade com este estudo.
Também foram observadas diferenças nos anticorpos contra alérgenos ambientais ao nascimento: lactentes OOM mostraram mais IgG e IgG4 para ácaros e cavalo, enquanto lactentes urbanos tinham mais anticorpos para amendoim e gato. A detecção de antígenos alimentares e IgA específica no sangue do cordão sugere que a exposição in utero pode moldar a imunidade inicial.
Os autores listam fatores possivelmente relacionados ao efeito observado e que merecem atenção:
- exposição diária a animais de fazenda e micróbios ambientais
- uso de água de poço e menor uso de certos antibióticos
- amamentação mais longa ou mais frequente e padrões distintos do microbioma intestinal
O URMC iniciou um ensaio clínico randomizado que designará gestantes para consumir regularmente ovo e amendoim no final da gravidez e no início da amamentação, ou para evitá-los. O estudo vai acompanhar os níveis de anticorpos maternos e o desenvolvimento de alergia alimentar nos bebês, para avaliar se a dieta materna e os anticorpos do leite oferecem proteção além da introdução precoce de alimentos alergênicos.
Palavras difíceis
- coorte — grupo de pessoas acompanhado por cientistas
- longitudinal — que acompanha participantes por longos períodos
- maturação — processo de desenvolvimento ou amadurecimento
- anticorpo — proteína do sistema imune que neutraliza antígenosanticorpos
- imunidade — capacidade do corpo de defender contra doenças
- amamentação — ato de alimentar o bebê com leite materno
- microbioma — conjunto de micro-organismos no intestino ou pele
- ensaio clínico randomizado — estudo que divide participantes aleatoriamente
- causalidade — relação direta de causa e efeito
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Como a dieta da gestante poderia influenciar os anticorpos no leite e a proteção do bebê contra alergias?
- Quais vantagens e limitações você vê em fazer um ensaio clínico randomizado sobre consumo de ovo e amendoim na gravidez?
- Além dos fatores mencionados no texto, que outras condições ambientais ou sociais podem afetar a imunidade inicial dos bebês?
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