Uma equipe da Washington University School of Medicine em St. Louis analisou registros eletrônicos de saúde de veteranos com diabetes tipo 2 e comparou o início do uso de agonistas do receptor GLP-1 — mais comumente semaglutide, liraglutide ou dulaglutide — com o uso de um inibidor de SGLT2. Os participantes foram acompanhados por até três anos e os resultados foram publicados em The BMJ.
Entre quem não tinha transtorno por uso de substâncias, o uso de GLP-1 associou-se a redução do risco de desenvolver esse tipo de transtorno, com queda para várias drogas, como álcool, cannabis, cocaína, nicotina e opioides. Em pacientes já dependentes, o uso de GLP-1 relacionou-se a menos idas ao pronto-socorro, menos hospitalizações, menos overdoses e menos mortes relacionadas a drogas.
Os autores explicam que os receptores de GLP-1 existem em regiões cerebrais ligadas à recompensa e ao desejo, o que pode reduzir a ânsia por drogas. Eles sugerem testar esses medicamentos em ensaios clínicos para tratar dependência.
Palavras difíceis
- agonista — substância que ativa um receptor no corpoagonistas
- inibidor — medicamento que diminui ou bloqueia uma função
- transtorno — problema de saúde relacionado a comportamento ou uso
- redução — diminuição de quantidade, risco ou intensidade
- dependência — necessidade ou vício em substância ou comportamento
- receptor — estrutura do corpo que recebe sinais químicosreceptores
- ensaio clínico — estudo com pessoas para testar medicamentosensaios clínicos
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Perguntas para discussão
- Você acha que esses medicamentos deveriam ser testados em ensaios clínicos para tratar dependência? Por quê?
- Que mudanças isso poderia causar no atendimento de emergência e nas hospitalizações?
- Conhece outros tratamentos para dependência que poderiam combinar com esses medicamentos?
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