Uma revisão de Zlatan Krizan, Breanna Curran e Richard Leo, publicada na revista Psychology, Public Policy, and Law, alerta que tribunais dos EUA devem reconhecer os riscos de depender de declarações e confissões feitas por pessoas muito cansadas. Os autores citam evidências de que suspeitos, testemunhas e vítimas frequentemente chegam ao sistema de justiça exaustos, ansiosos e com sono fragmentado, o que altera memória, julgamento e comportamento.
A revisão descreve três etapas em que a perda de sono distorce as provas: antes de relatar um evento, porque a fadiga enfraquece a memória; durante o contato inicial, quando relatos ficam menos claros; e durante o questionamento em custódia, quando a fadiga aumenta a vulnerabilidade a pressão e confissão falsa. A perda de sono reduz detalhes autobiográficos, aumenta a suscetibilidade a informações errôneas e faz situações estressantes parecerem mais avassaladoras. Em casos extremos, a fadiga pode causar confusão e até psicose, levando pessoas a duvidar de suas lembranças e a aceitar afirmações externas.
Os autores propõem três níveis de prejuízo: baixo a moderado (24 horas sem sono ou cerca de quatro horas por noite por dois dias), alto (48 horas sem sono ou quatro horas por noite por quatro dias) e extremo (72 horas sem sono ou quatro horas por noite durante uma semana). Segundo os autores, o nível baixo a moderado já excede o limite legal de concentração de álcool no sangue na maioria dos estados; o nível alto produz prejuízo cognitivo e emocional significativo e excede o limite de 36 horas contínuas que a Suprema Corte dos EUA considerou intrinsecamente coercitivo; o nível extremo pode causar psicose e perturbação fisiológica extrema.
Para reduzir riscos, recomendam documentar quando e por quanto tempo ocorrem entrevistas, registrar sinais de fadiga, usar gravação de vídeo rotineira e desenvolver protocolos e padrões legais que considerem a perturbação do sono. Os pesquisadores também pedem mais estudos sobre os efeitos do cansaço na tomada de decisão, no estresse e na confiança na memória, porque a perda de sono pode alterar a confiabilidade das provas em que a justiça depende.
Palavras difíceis
- revisão — análise crítica de estudos ou pesquisas
- fadiga — cansaço intenso que reduz habilidades mentais
- suscetibilidade — tendência a ser influenciado por algo externo
- confissão — declaração em que alguém admite culpaconfissão falsa
- prejuízo — dano ou redução da capacidade mentalprejuízo cognitivo
- perturbação — interferência que altera funcionamento normalperturbação do sono
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Perguntas para discussão
- Como registros de sinais de fadiga poderiam influenciar decisões de juízes ou promotores?
- Quais dificuldades práticas podem existir ao exigir gravação de vídeo rotineira em todas as entrevistas?
- De que maneiras a perda de sono pode afetar a confiança de jurados nas provas apresentadas?