No Dia Mundial da Malária (25 de abril), especialistas afirmam que a África enfrenta um ponto de viragem após duas décadas de ganhos mensuráveis em saúde. Nos últimos 20 anos a esperança de vida subiu de 49 para 61 anos em 15 países da África subsariana, e a mortalidade infantil menor de cinco anos foi reduzida pela metade; porém tendências recentes indicam crescente pressão sobre esses avanços.
Em 2024 a África registou mais de 270 milhões de casos de malária, correspondendo a 96% do total global, e quase 595.000 mortes, ou 97% da mortalidade global por malária. Quase três quartos das mortes de bebés e crianças pequenas envolvem múltiplas condições simultâneas, como malária, desnutrição e pneumonia. Apesar disso, muitos sistemas de saúde continuam organizados por programas verticais específicos por doença.
A investigação também sofre com fragmentação: o financiamento costuma privilegiar resultados de curto prazo e ensaios de produtos, enquanto investigação sobre sistemas de saúde e ciência de implementação é subfinanciada. Dados são muitas vezes produzidos mas não traduzidos em políticas, e instituições nacionais permanecem subutilizadas. É necessária mais investigação clínica e de implementação realizada nos próprios sistemas, junto das comunidades afetadas, para responder a perguntas práticas sobre que intervenções funcionam e como escalá-las.
Existem exemplos de modelos integrados, como um centro no Quénia que liga participação comunitária, investigação e política, e iniciativas como o Child Health and Mortality Prevention Surveillance (CHAMPS) que fornecem dados em tempo real. Avanços em vacinas e estratégias de imunização salvaram pelo menos 1.8 million vidas na África em 2023, mas a adopção rápida depende de sistemas regulatórios e de entrega. Fortalecer a harmonização através de instituições como a African Medicines Agency é vital.
- Participação comunitária
- Investigação local
- Vigilância em tempo real
- Política e entrega
Integrar esses elementos e reforçar instituições locais ajudará a reduzir a lacuna entre o que se sabe e o que se faz e poderá salvar vidas. Edwine Barasa é diretora executiva do KEMRI-Wellcome Research Programme e David Mukanga é diretor adjunto para Africa Regulatory Systems na Gates Foundation.
Palavras difíceis
- ponto de viragem — mudança importante na direção de uma situação
- fragmentação — separação em partes que não comunicam bem
- mortalidade infantil — número de crianças que morrem antes dos cinco anos
- implementação — introdução prática de políticas e intervenções
- subfinanciado — que recebe menos dinheiro do que necessitasubfinanciada
- vigilância em tempo real — observação contínua com dados imediatos
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Perguntas para discussão
- Como modelos integrados que juntam participação comunitária, investigação e política podem melhorar os resultados em saúde na prática?
- Que mudanças concretas seriam necessárias nos sistemas regulatórios e de entrega para acelerar a adopção de vacinas?
- De que forma a investigação local e a vigilância em tempo real podem reduzir a lacuna entre conhecimento e prática nos serviços de saúde?
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