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Gaza após dois anos de guerra: destruição e resistência — Nível B2 — a group of people sitting in a room

Gaza após dois anos de guerra: destruição e resistênciaCEFR B2

10/10/2025

Nível B2 – Intermediário-avançado
7 min
411 palavras

Dois anos de guerra transformaram Gaza de várias formas. Com um cessar‑fogo entre Israel e o Hamas entrando em vigor, a atenção voltou‑se para os danos ao ambiente, à saúde e ao desenvolvimento desde outubro de 2023, e para os esforços locais de adaptação e reconstrução.

Os primeiros relatos documentaram um colapso humanitário após cortes de água, eletricidade e combustível e o encerramento de pontos de controlo para ajuda. Famílias dormiam nos terrenos de hospitais sem água, comida ou energia, e pessoas deslocadas passaram a depender de alimentos enlatados. Mais de 2 milhões de residentes ficaram privados das necessidades mais fundamentais. Os serviços de saúde entraram em colapso, com hospitais danificados, esgotos a transbordar e surtos de hepatite A e diarreia; a UN classificou a situação como fome, com mais de meio milhão de pessoas a enfrentar a inanição.

Ao mesmo tempo, houve engenhosidade local: reaproveitamento de painéis solares e baterias, conversão de plástico em combustível — prática com riscos ambientais e para a saúde — e pequenos projetos de dessalinização liderados por engenheiros como Adi Al‑Daghma. A agricultura foi muito atingida; imagens de satélite mostraram terras agrícolas arrasadas e mais de 50.000 agricultores perderam os meios de subsistência. Peritos advertiram que a recuperação do solo pode levar cinco a sete anos se a ajuda internacional chegar. O jovem engenheiro Yousef Abu Rabie iniciou um esforço de base para recuperar a agricultura com sementes recuperadas, mas foi morto num ataque aéreo em outubro de 2024. A Palestinian Union of Agricultural Work Committees enviou amostras de sementes indígenas ao Svalbard Global Seed Vault, na Noruega, para as proteger.

As escolas e universidades também sofreram danos graves: mais de 90 por cento das escolas foram danificadas ou destruídas, interrompendo o ensino de mais de 625.000 estudantes, e várias universidades foram destruídas com mais de 100 membros seniores do corpo docente mortos. Relatos indicaram o uso de inteligência artificial para identificar alvos com supervisão humana mínima, e especialistas afirmaram que os ataques visavam corroer capacidades científicas e digitais. Apesar das perdas, estudantes e investigadores trabalharam em tendas e abrigos muitas vezes sem eletricidade ou internet, e iniciativas de solidariedade fora de Gaza, como o projeto Mothers of Hind, lançado por Abeer Pharaon no Reino Unido, tentaram apoiar estudantes e reconectar universidades isoladas. Com o cessar‑fogo, a prioridade passou a ser a distribuição de ajuda, a reconstrução e a forma como a ciência, a criatividade e a determinação podem ajudar a reconstruir vidas.

Palavras difíceis

  • cessar-fogoacordo para parar combates temporariamente
    cessar‑fogo
  • colapsofalha grave ou interrupção de serviços
  • inaniçãoestado grave por falta de comida
  • surtoaumento rápido de casos de doença
    surtos
  • reaproveitamentouso de materiais já existentes novamente
  • dessalinizaçãoprocesso para tirar sal da água
  • subsistênciameios para sobreviver e ganhar sustento
  • engenhosidadecapacidade de criar soluções práticas
  • inteligência artificialprogramas que imitam capacidades humanas de pensar

Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.

Perguntas para discussão

  • De que forma a ciência e a criatividade podem contribuir para a reconstrução das escolas e universidades? Dê exemplos práticos.
  • Quais são os benefícios e os riscos da conversão de plástico em combustível, segundo o que aparece no texto?
  • Que critérios acharia importantes para priorizar a ajuda e a reconstrução depois de um conflito? Explique com base nas necessidades mencionadas no artigo.

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