Pesquisadores identificaram um composto natural no alho que interrompe o acasalamento e reduz a postura de ovos em insetos. Os resultados foram publicados na revista Cell e o texto saiu originalmente no Futurity.
O laboratório de John Carlson, professor de biologia molecular, celular e do desenvolvimento em Yale, relatou que a presença do alho impede o acasalamento em mosquitos e em vários tipos de moscas. Os autores apontam que o efeito não se deve ao cheiro forte; é o paladar que conta, porque um receptor localizado nos pequenos órgãos gustativos dos insetos responde ao composto e bloqueia o comportamento normal de acasalamento.
A equipe começou as experiências com moscas-das-frutas e depois estendeu o trabalho a outras espécies, e os pesquisadores ficaram surpresos ao encontrar um composto do alho capaz de desligar o acasalamento. Eles descrevem sua busca por compostos vegetais como "phytoscreen", uma técnica que vasculha plantas em busca de químicos que alterem o comportamento de insetos.
Segundo os autores, o phytoscreen pode conduzir a estratégias de controle de pragas ambientalmente amigáveis, amplamente disponíveis e baratas. Ainda assim, não está claro em que prazo essas descobertas poderão virar ferramentas práticas.
Palavras difíceis
- composto — substância feita por várias moléculas
- acasalamento — ato de dois animais se reproduzirem
- postura — ato de pôr ovos pelos insetos
- receptor — proteína que recebe sinais químicos
- gustativo — relacionado ao sentido do gostogustativos
- controle — ação para reduzir ou gerir problemas
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Você usaria compostos naturais como o do alho para controlar pragas em casa? Por quê?
- Quais vantagens você vê em usar estratégias ambientalmente amigáveis mencionadas no texto?
- O artigo diz que não está claro quando isso será prático. Que passos seriam necessários para transformar essas descobertas em ferramentas úteis?
Artigos relacionados
Oxitocina aumenta em jogos de futebol entre grupos
Investigadores da Universidade de Zurique mediram oxitocina em jogadores Tsimane na Amazónia boliviana. Os níveis subiram mais após jogos contra rivais familiares e também quando jogaram contra não‑Tsimane; houve diferenças entre homens e mulheres.
Nano‑OLEDs do ETH Zurich com pixels menores que células
Pesquisadores do ETH Zurich fabricaram OLEDs em escala nanométrica com pixels de até 100 nanômetros e demonstraram um logótipo de 2.800 nano‑pixels. O trabalho saiu na revista Nature Photonics e aponta aplicações em ecrãs e microscopia.