Nova pesquisa publicada no Journal of Neuro-Oncology sugere que a hora do dia em que se administra a temozolomida (TMZ) pode influenciar a resposta dos tumores de glioblastoma. O glioblastoma é um câncer cerebral agressivo que afeta mais de 300.000 pessoas por ano no mundo. O estudo mostra que a atividade da enzima de reparo de DNA MGMT não é constante: tanto a metilação do gene quanto os níveis da proteína MGMT oscilam ao longo do dia.
Colegas da WashU Medicine — que forneceram cinco anos de dados de biópsias — e a equipe de Herzog observaram que biópsias feitas pela manhã tinham maior probabilidade de serem classificadas como metiladas. Rubin destacou que a metilação serve para identificar subtipos moleculares que alteram a resposta ao tratamento.
A estudante de pós‑graduação Maria Gonzalez‑Aponte mediu os níveis de MGMT em células tumorais e em amostras de pacientes, enquanto a bióloga matemática Olivia Walch ajudou a construir um modelo matemático. O modelo prevê que, porque a TMZ leva várias horas para causar dano ao DNA e ativar a morte celular, administrar o fármaco logo após um pico de proteína MGMT pode criar uma janela maior em que o reparo tumoral é mais lento. Walch alerta que encontrar o momento certo pode depender da dose e de diferenças individuais nos ritmos circadianos.
Próximos passos incluem testar a cronoterapia com TMZ em contextos clínicos e estudar a hora do dia para outros sinais que afetam o crescimento do GBM. A equipe também planeja analisar fármacos como a dexametasona para evitar horários em que o tratamento possa, inadvertidamente, promover o crescimento tumoral. O trabalho recebeu financiamento do National Institutes of Health, do NCI e do Siteman Cancer Center no Barnes‑Jewish Hospital e WashU Medicine.
Palavras difíceis
- metilação — adição de grupos químicos ao DNA que muda expressão
- enzima — proteína que acelera reações químicas no organismo
- reparo — processo de consertar danos no DNA das células
- biópsia — retirada de tecido para exame e diagnósticobiópsias
- cronoterapia — tratamento que considera horários do dia
- ritmo circadiano — ciclo biológico de cerca de vinte e quatro horasritmos circadianos
- modelo matemático — representação matemática para prever comportamento de um sistema
- dexametasona — medicamento anti-inflamatório usado em vários tratamentos
- administrar — dar um medicamento a um paciente
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Quais são os possíveis benefícios e riscos de ajustar o horário da quimioterapia com base nos ritmos circadianos? Explique com razões.
- Como diferenças individuais nos ritmos circadianos podem complicar a escolha do melhor horário para administrar a TMZ? Dê exemplos.
- Que desafios práticos e éticos podem existir ao testar cronoterapia em estudos clínicos com pacientes com glioblastoma?
Artigos relacionados
Anticorpo limpa vestígios do mieloma múltiplo em estudo inicial
Um ensaio clínico de fase 2 mostrou que o anticorpo linvoseltamab eliminou sinais detectáveis de mieloma múltiplo em pacientes avaliados com testes muito sensíveis. Pesquisadores expandem o estudo, mas são necessários mais testes.
Corantes alimentares sintéticos: riscos e mudanças até 2027-28
Especialistas alertam sobre corantes alimentares sintéticos usados em muitos alimentos. Há preocupação com efeitos no desenvolvimento infantil; empresas têm orientação da FDA para eliminar esses corantes até 2027-28, mas a reformulação traz desafios.
Novartis apresenta GanLum, novo tratamento contra a malária
A Novartis anunciou o GanLum, com a molécula ganaplacide, que mostrou forte eficácia em ensaio final com mais de 1,600 pacientes. Pode reduzir a transmissão e enfrentar a resistência a medicamentos, e chegar ao mercado em 2027.
Células imunes e IL-10 ajudam a explicar diferença na dor
Pesquisa mostra que um subgrupo de monócitos produz IL-10, uma molécula que reduz a dor. Esses monócitos estão mais ativos em homens, associação ligada a hormônios sexuais, e isso pode explicar dor crônica mais longa em mulheres.