Um estudo co‑liderado por Akiko Iwasaki e publicado na revista CELL encontrou fortes evidências de que, em algumas pessoas com long COVID, o sistema imunológico produz autoanticorpos que atacam tecidos do cérebro e dos nervos. Esses alvos incluem áreas envolvidas na sinalização da dor, memória, equilíbrio e no controle do sistema nervoso autônomo.
A equipe analisou sangue de pacientes com long COVID, de voluntários saudáveis e de pessoas recuperadas sem sintomas persistentes. Os pesquisadores purificaram anticorpos e os expuseram a tecidos humanos e de camundongos; os anticorpos dos pacientes reagiram mais intensamente. Também fizeram triagens contra muitas proteínas humanas e identificaram alvos relacionados a neurônios, comunicação nervosa e inflamação.
Para avaliar efeitos in vivo, transferiram anticorpos de pacientes para camundongos. Os animais passaram a mostrar maior sensibilidade à dor, fadiga, problemas de equilíbrio e danos em fibras nervosas pequenas. Os autores alertam que outros mecanismos podem estar envolvidos e que são necessárias mais pesquisas para entender e tratar o long COVID.
Palavras difíceis
- autoanticorpo — anticorpo que ataca o próprio corpoautoanticorpos
- sinalização — processo de transmitir sinais entre células
- sistema nervoso autônomo — parte do corpo que controla funções involuntárias
- triagem — processo de testar muitas opções ou amostrastriagens
- purificar — separar e limpar uma substância de outraspurificaram
- in vivo — experimento feito em organismo vivo
- neurônio — célula que transmite sinais no sistema nervosoneurônios
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Como você pensa que os autoanticorpos podem causar sintomas como dor e fadiga?
- Que tipos de estudos adicionais seriam úteis para entender e tratar o long COVID?
- Se você conhecesse alguém com sintomas persistentes, como explicaria os resultados deste estudo para essa pessoa?
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