As danças do samovar em Ufa reúnem jovens bashkirsCEFR B2
28/11/2025
Adaptado de Anastasia Pestova, Global Voices • CC BY 3.0
Foto de Daniil Silantev, Unsplash
O Samauryly Ritaiym, conhecido como as danças do samovar, tornou-se um ponto de encontro cultural em Ufa e em outras cidades de Bashkiria. Os indígenas Bashkirs, um povo turco de cerca de 1.6 milhão, têm visto nos encontros um modo de reforçar a língua e as tradições, sobretudo entre jovens que se mudam das aldeias e passam a falar mais em russo.
Os eventos começaram de forma informal na margem do rio Agidel há cinco anos; a primeira reunião ocorreu em 17 de junho de 2020 e reuniu não mais do que 15 pessoas. Os organizadores dizem que, desde então, a iniciativa envolveu mais de 2,000 participantes ao todo, e que reuniões isoladas atraem até 1,000 pessoas. As atividades ocorrem a cada duas semanas, às quartas-feiras à noite, com um grande samovar, um pequeno palco, fogueira, músicos que tocam o kurai e comidas tradicionais como chak-chak, kumis e beshbarmak.
Rustam Abdrazakov, um dos iniciadores, afirma que os encontros ajudam jovens das aldeias a falar mais na sua língua materna: durante o ritaiym os participantes conversam três a quatro horas em bashkir. Ele estima que, nos últimos cinco anos, cerca de 12 ou 13 casais se formaram após se conhecerem nos eventos e que alguns agora vêm com os filhos. Vídeos dos encontros em Ufa atraem milhares de visualizações na internet.
Ainda não está claro se há apoio oficial: os organizadores dizem financiar as reuniões com doações e consideram provocativas as perguntas sobre apoio governamental, enquanto o Ministério regional da Cultura nega envolvimento. Há quem veja o movimento como uma revitalização de costumes comunitários, como kiske uyn, külägä e ritaiym, e quem critique a dança pública como inadequada após a invasão da Rússia na Ucrânia em fevereiro de 2022; defensores respondem que os encontros oferecem alívio emocional importante.
Palavras difíceis
- indígena — pessoa originária de um territórioindígenas
- reforçar — tornar algo mais forte ou estável
- aldeia — pequena povoação no campo com poucas casasaldeias
- samovar — recipiente usado para aquecer água e preparar chá
- ritaiym — encontro tradicional com dança e convivência
- kurai — instrumento de sopro tradicional dos povos locais
- revitalização — ato de tornar práticas e costumes ativos novamente
- invasão — entrada armada de um país no território de outro
- alívio emocional — redução de tensão e sofrimento interior
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Perguntas para discussão
- De que maneiras esses encontros podem contribuir para a preservação da língua e das tradições locais? Dê exemplos.
- Que argumentos você vê a favor e contra a continuação de danças públicas como o ritaiym após a invasão mencionada no texto?
- Que estratégias de financiamento (além de doações) poderiam tornar esses encontros mais sustentáveis sem perder sua autonomia cultural?