A resistência antimicrobiana (AMR) já provoca um elevado número de mortes anuais e a situação pode piorar: estima-se mais de 4 milhões de mortes por ano, número que pode subir para mais de 8 milhões até 2050. Num momento assim, especialistas avisam que poucos antibióticos novos estão a ser desenvolvidos para crianças, enquanto a produção pelas grandes farmacêuticas investigacionais abrandou nos últimos cinco anos.
O Antimicrobial Resistance Benchmark 2026, divulgado a 10 de março pela Access to Medicine Foundation, conclui que o número de candidatos a antimicrobianos nas pipelines das grandes empresas caiu 35% desde 2021. O relatório destaca uma escassez particular de antibióticos pediátricos: só 14% dos medicamentos em desenvolvimento são para menores de cinco anos, e em 17 países da África Subsaariana não há antibióticos pediátricos disponíveis pelas empresas avaliadas.
Das 25 empresas avaliadas, sete medicamentos estão em fase tardia e poderiam tratar infeções resistentes — incluindo gonorreia, infeções do trato urinário e tuberculose resistente a medicamentos. A britânica GSK participa em três desses fármacos, entre eles o gepotidacin, já aprovado para UTIs; outros desenvolvedores incluem Venatorx e Innoviva. Embora muitas empresas afirmem ter planos de registo e programas de acesso precoce, a Foundation prevê que apenas dois antimicrobianos (da Innoviva e da Otsuka) sejam acessíveis em países de baixa e média renda.
Especialistas, como John-Arne Røttingen, sublinham que o subinvestimento crónico e o declínio do interesse do setor privado prejudicam comunidades afetadas por infeções resistentes. Recomendações incluem incentivos económicos, esquemas de garantia de receitas e o modelo de subscrição para garantir fornecimento, além de produzir localmente, formar parcerias e assegurar volumes para reduzir preços e melhorar o acesso sustentado.
Palavras difíceis
- resistência antimicrobiana — capacidade de microrganismos tolerarem antibióticos e outros medicamentos
- antibiótico — medicamentos que tratam infeções bacterianasantibióticos
- pipeline — conjunto de produtos em desenvolvimento numa empresapipelines
- pediátrico — relativo a cuidados e medicamentos para criançaspediátricos
- escassez — falta ou quantidade insuficiente de algo
- subinvestimento — recursos financeiros insuficientes para um projeto
- subscrição — pagamento regular para manter acesso a um serviço
- fornecimento — disponibilização de bens ou serviços a utilizadores
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Perguntas para discussão
- Que consequências pode ter a falta de antibióticos pediátricos para crianças em países com escassez?
- De que forma incentivos económicos e esquemas de garantia de receitas poderiam convencer empresas a investir em antimicrobianos?
- Quais são as vantagens e os desafios de produzir antimicrobianos localmente em países de baixa e média renda?
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