Muitos pequenos agricultores dependem da chuva para cultivar alimentos, e a variabilidade das chuvas tornou a irrigação uma prioridade, segundo Richard Colback, da International Finance Corporation. Hoje apenas 6% das terras cultivadas na África são irrigadas e menos de um quinto das terras aráveis é irrigado globalmente. Ao mesmo tempo, a população mundial pode chegar a 10 bilhões até 2050, o que exige um aumento de produção agrícola em torno de 60%.
As 500 milhões de pequenas propriedades na Ásia e na África Subsaariana são centrais para esse aumento, mas muitas não conseguirão se continuarem dependentes da chuva errática. Sistemas de irrigação em pequena escala — individuais, compartilhados ou oferecidos como serviço — costumam exigir investimentos menores que grandes projetos, geram retornos mais altos e dão maior controle aos agricultores. Tecnologias como irrigação de precisão e sensores podem levar água diretamente às raízes e monitorar a umidade do solo em tempo real.
A África também dispõe de grandes reservas de água subterrânea, com locais onde a água fica a sete metres da superfície e pode ser alcançada por bombas. Sistemas solares reduzem a pegada de emissões em cerca de 95 a 97% em comparação com bombas a diesel ou eletricidade da rede. Casos concretos mostram ganhos: um agricultor queniano, Kinaro Waithaka, instalou um sistema solar e obteve mais de KES 40,000, cerca de US$400, numa colheita de tomates; no Gana, o Ghana Commercial Agriculture Project investiu US$62 milhões, beneficiou cerca de 14,000 pessoas e elevou a produtividade média de arroz de 4.5 metric tonnes per hectare in 2017 para cerca de 5.5 MT/Ha.
Os custos para ampliar a irrigação em larga escala são elevados, estimados entre US$26 billion a US$50 billion por ano nas próximas duas décadas. Entre os desafios estão limites de água superficial, esgotamento de aquíferos, salinização, escoamento, mercados fragmentados e crédito limitado para pequenos produtores. Colback aponta soluções conhecidas, como blended finance, melhores práticas de gestão, governança colaborativa e acordos transfronteiriços, citando o Water Scarcity Program da Food and Agriculture Organization e o Handbook for Scaling Irrigation Systems conjunto da IFC-IFAD como estruturas práticas.
- Benefícios: maior produção e maior controlo local.
- Riscos: esgotamento de água e salinização.
- Necessidades: investimento, mercado e políticas colaborativas.
Palavras difíceis
- irrigação — aplicação controlada de água nas plantações
- variabilidade — mudança ou diferença imprevisível no padrão
- sensor — dispositivo que mede condições locaissensores
- aquífero — depósito de água subterrânea acessívelaquíferos
- salinização — aumento de sal no solo ou água
- produtividade — quantidade de produção por área
- esgotamento — redução ou perda de um recurso natural
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Perguntas para discussão
- Como a irrigação em pequena escala pode mudar a vida dos pequenos agricultores na sua região? Dê exemplos e razões.
- Que políticas públicas e instrumentos financeiros seriam úteis para expandir a irrigação sem causar esgotamento de água?
- Quais obstáculos práticos existem para ampliar o uso de bombas solares e tecnologias de precisão na agricultura local?
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