A adoção da inteligência artificial na África subsaariana é condicionada por duas barreiras principais: uma infraestrutura energética frágil e uma conectividade móvel cara e de baixa qualidade. O continente tem mais de 1,5 bilhão de habitantes, com grande parcela vivendo em zonas rurais, o que agrava a desigualdade de acesso às novas tecnologias.
Segundo a International Energy Agency, em 2025 quase 600 milhões de africanos não tinham acesso à eletricidade; isso representa 43% da população da África, e 85% dos sem energia estão na África subsaariana. Países como África do Sul, Gana e Quénia mostram taxas de eletrificação mais elevadas, enquanto Níger, Chade e Sudão do Sul têm mais de 80% da população sem eletricidade confiável. Cortes de energia ocorrem diariamente em lugares como África do Sul e Costa do Marfim.
A qualidade da internet é outro obstáculo: apesar de a região ter representado 75% da expansão global da cobertura móvel em 2024, a penetração rural permanece baixa. Latência alta e conexões instáveis tornam muitas ferramentas de IA inutilizáveis em tempo real, e, em alguns países, 1 GB de dados móveis custa entre 2% e 10% da renda média mensal. Conexões podem chegar a custar mais de um quarto do salário mensal para algumas pessoas.
- Startups e PMEs enfrentam custos mais altos.
- Elas precisam, por vezes, de VPN e dados caros.
- Projetos demoram mais para avançar.
- Às vezes não há acesso a ferramentas avançadas.
Existem soluções técnicas — energia solar, cabos submarinos, modelos de IA offline e investimento direcionado —, mas falta compromisso político e económico. Organizações e empresas fora da rede, como M-Kopa e Bboxx, fornecem energia para telefones e lâmpadas, mas não conseguem alimentar computadores de alto desempenho, routers ou servidores locais necessários para IA. O futuro da IA dependerá também de salas de aula no Níger sem eletricidade, centros de saúde rurais e startups em Nairobi que trabalham sob limitações.
Palavras difíceis
- adoção — ato de começar a usar algo novo
- infraestrutura — conjunto de instalações e serviços básicos
- conectividade — capacidade de ligar dispositivos à rede
- eletrificação — processo de levar eletricidade a lugares
- latência — tempo de atraso numa comunicação digital
- penetração — percentual de pessoas com acesso a algo
- compromisso — vontade oficial de apoiar ou agir
- servidor — computador que fornece serviços a outrosservidores
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Como a falta de eletricidade nas zonas rurais pode afetar a educação e os centros de saúde mencionados no texto?
- Que tipos de compromisso político e económico seriam necessários para implementar soluções como cabos submarinos e investimento direcionado?
- Quais são as vantagens e os limites das soluções fora da rede, como M-Kopa e Bboxx, para o desenvolvimento local?
Artigos relacionados
Ferramenta de IA para melhorar registos de causas de morte
Investigadores apresentaram o CODA, uma ferramenta de inteligência artificial de três anos, financiada pela Fundação Gates, para melhorar registos de causas de morte em países de baixa renda onde poucos óbitos têm causas documentadas.
Sistema para reduzir carbono e proteger servidores
Pesquisadores da University of California, Riverside propõem o FCI: um sistema que junta dados ambientais e informação sobre a saúde de servidores para reduzir emissões de carbono e o desgaste das máquinas. Testes em simulações mostram resultados promissores.
Bateria que usa bactérias do solo para gerar energia
Uma empresa derivada de uma universidade do Reino Unido criou a Bactery, uma bateria que usa microrganismos do solo para gerar eletricidade e alimentar sensores agrícolas. Testes-piloto no Brasil mostraram o conceito e a empresa planeia produção em pequena escala.