A Global Dengue Observatory é uma nova ferramenta que permite seguir mensalmente a atividade da dengue em 88 países. Desenvolvida pela London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM), a plataforma agrega dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do OpenDengue Project da LSHTM para fornecer informação a investigadores, decisores e ao público em geral.
Um entrave importante à vigilância global são os atrasos no reporte: casos locais têm de ser identificados, comunicados às autoridades nacionais e depois partilhados com organismos internacionais, um processo que pode demorar dias ou meses. Os países reportam em intervalos diferentes e dispõem de capacidades de vigilância distintas. Para reduzir essas lacunas, investigadores da LSHTM criaram algoritmos que estimam o número final provável de casos, ajustando para atrasos no reporte e dados em falta; essas correções são aplicadas, para já, apenas à América Latina, a região mais afetada.
O observatório acompanha países que reportaram pelo menos cinco casos por mês nas últimas cinco temporadas, regra que exclui países onde a dengue está a emergir com números baixos, como França e Itália. Até ao final de fevereiro a plataforma registou 314,783 casos acumulados no mundo, incluindo 235,075 na América do Sul. A OMS aponta um aumento de 505,430 casos em 2000 para 14.6 milhões em 2024, e associa essa subida à expansão dos habitats do mosquito, às alterações climáticas, à fragilidade dos sistemas de saúde e à instabilidade política.
Um exemplo recente mostra o vírus a atingir novos patamares: em Cochabamba, Bolívia, a 2,550 metros de altitude, os casos subiram de cerca de 130 antes de 2018 para 1,400 em 2019 e mais de 8,000 em 2024, mudança ligada ao aumento das temperaturas e à expansão do Aedes aegypti. A OMS reportou 4.4 milhões de casos de dengue na América Latina em 2025, uma queda de 66 por cento face a 2024, em grande parte devido à imunidade de curto prazo após grandes surtos. Alguns países continuam exceções:
- Cuba
- Guyana
- Suriname
Especialistas dizem que um monitoramento harmonizado e em tempo real pode ajudar a prever surtos, orientar medidas de controlo e revelar picos locais que médias regionais podem ocultar.
Palavras difíceis
- observatório — plataforma ou sistema para acompanhar dados e eventos
- vigilância — ação de observar e controlar doenças na população
- reporte — registro ou comunicação de casos e informações
- algoritmo — conjunto de regras ou passos para processar dadosalgoritmos
- ajustar — modificar dados ou métodos para torná-los mais corretosajustando
- lacuna — falta de informação ou espaço não preenchidolacunas
- surto — aumento repentino no número de casos de doençasurtos
- imunidade — proteção temporária ou permanente contra uma doença
- habitat — lugar natural onde vive um organismohabitats
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Que vantagens e limitações vê na aplicação, por enquanto, das correções apenas à América Latina?
- Como um monitoramento harmonizado e em tempo real pode mudar a resposta de autoridades locais a surtos?
- Quais dos fatores mencionados no texto (por exemplo, expansão de habitats, alterações climáticas, fragilidade dos sistemas de saúde, instabilidade política) considera mais importantes para o aumento da dengue? Explique porquê.
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