A 4ª Conferência Internacional sobre Saúde Pública em África (CPHIA 2025) reuniu-se em Durban para debater estratégias que aumentem a autonomia africana no domínio da saúde. O encontro contou com delegados de mais de 20 países e com representantes da Comissão da União Africana, da OMS, da UNICEF, da Gavi e do Global Fund. Um dos temas centrais foi o fortalecimento da produção regional de vacinas e medicamentos para reduzir a dependência externa.
Na quinta-feira (23 October), o ministro Blade Nzimande apresentou o Pharmaceutical Manufacturing Plan, liderado pelo Africa CDC e apoiado pela União Africana, pelo Afreximbank e pela Gavi, com um investimento de US$3.2 billion. O plano pretende criar centros regionais de fabrico, aplicar normas de qualidade da OMS e reforçar a regulação através da Agência Africana de Medicamentos. A meta é que, até 2040, pelo menos 60 per cent das vacinas usadas em África sejam produzidas no próprio continente; o plano prevê também que 10 per cent das necessidades sejam atendidas localmente até ao final deste ano.
Além das soluções técnicas, a conferência discutiu a sustentabilidade financeira dos sistemas de saúde. Cyril Xaba alertou para uma “redução sem precedentes nos gastos com ajuda”, e a OECD projeta uma queda da ajuda bilateral para a África subsariana entre 16 e 28 per cent este ano, após uma queda de 2 per cent em 2024. Oradores pediram mecanismos inovadores de financiamento e mais iniciativas locais. Foi citado também que 2024 foi um ano recorde em copagamentos por países apoiados pela Gavi, ultrapassando US$250 million, e que o African Vaccine Manufacturing Accelerator atraiu 13 fabricantes com instalações operacionais no Egipto, Marrocos, África do Sul e Senegal.
Organizadores do evento incluem o Africa CDC, o Governo da África do Sul e a BIO Africa Convention da AfricaBio. Houve menções notáveis de Jean Kaseya, que destacou o papel global crescente de África, e de Nhlanhla Msomi, que pediu reforço da capacidade de inovação local. O CPHIA 2025 encerra no sábado (25 October) e deverá produzir uma declaração final, servindo de precursor para a reunião de Ministros da Saúde do G20, marcada para início de novembro sob a presidência do G20 da África do Sul.
Palavras difíceis
- autonomia — capacidade de agir sem depender de outrosautonomia africana
- fortalecimento — ato de tornar uma estrutura ou sistema mais forte
- fabrico — processo de produzir bens em fábricas ou centros
- regulação — regras e fiscalização para controlar atividades ou produtos
- sustentabilidade — capacidade de manter algo no tempo sem esgotar recursossustentabilidade financeira
- copagamento — valor pago localmente além do apoio financeiro externocopagamentos
- investimento — dinheiro aplicado para criar ou expandir projetos
- dependência — situação de precisar de outros para obter recursosdependência externa
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Perguntas para discussão
- Que vantagens e desafios existem na produção regional de vacinas e medicamentos em África, segundo o texto? Dê dois exemplos.
- Que mecanismos de financiamento inovadores poderiam melhorar a sustentabilidade dos sistemas de saúde, considerando as preocupações do artigo?
- Como a redução da ajuda externa pode afetar os planos de fabrico regional e a autonomia descrita na conferência?
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