LingVo.club
Nível
Indonésia e África: memórias e trocas desde Bandung (1955) — Nível B2 — man in orange white and blue plaid button up shirt

Indonésia e África: memórias e trocas desde Bandung (1955)CEFR B2

17/09/2025

Nível B2 – Intermediário-avançado
7 min
410 palavras

A Conferência de Bandung de 1955 estabeleceu um elo duradouro entre movimentos da Ásia e da África e ajudou a promover um espírito não alinhado e de descolonização. Do encontro nasceu o Dasasila (Dez Valores) e a memória pública permanece visível em lugares como a Jalan Asia Afrika, em Jacarta Central, e o Gedung Merdeka, em Bandung. O evento está ligado à liderança política de Soekarno e coincidiu com a primeira eleição legislativa da Indonésia, um marco na formação da sua estrutura política moderna.

Global Voices conversou com Alexei Wahyudiputra após um encontro em Dakar, no Africa-Asia A New Axis of Knowledge ConFest. Wahyudiputra é pesquisador do Airlangga Institute of Indian Ocean Crossroads e professor na Universitas Airlangga; sua pesquisa aborda Estudos Culturais e Literários, com foco em música, cinema e textos literários.

As conexões contemporâneas são visíveis em esportes, comércio, gastronomia e música. Quase todo clube profissional indonésio tem jogadores africanos; quatro futebolistas — Greg Nwokolo, Victor Igbonefo, Osas Saha e Bio Paulin — tornaram-se cidadãos indonésios e integraram a seleção nacional. Em Jacarta Central, muitos africanos vivem e trabalham em Tanah Abang; um negócio emblemático é o Sate Domba Afrika, gerido por Ismail Coulibaly, do Mali. A presença em Java Oriental é mais limitada, como mostra o único restaurante africano em Surabaya, e imagens africanas na cultura popular são frequentemente exotizadas.

Na cena musical, o Disko Afrika surgiu em 2020 no Savaya, Uluwatu, Bali, como plataforma para DJs africanos “africanizarem” Bali. O evento ocorre com periodicidade bimestral ou trimestral e reúne DJs da África e da diáspora (por exemplo, 2wo Bunnies, Dbn Gogo, Dijok, Anais B) e DJs indonésios (Batik Boy, Amtake, Mokodee), destacando gêneros como Amapiano, Afrobeats, Kizomba e Gqom. O público é internacional, mas os ingressos relativamente caros tornam os eventos mais exclusivos, e as redes sociais do Disko Afrika misturam símbolos africanos com imagens exóticas.

Os laços educacionais avançam por bolsas como a KNB (Kemitraan Negara Berkembang) e programas específicos, como a Asia Afrika Students Scholarship (AASS) da Universitas Muhammadiyah Malang. Em instituições como a Universitas Airlangga, muitos estudantes africanos cursam Economia e Negócios e são vistos como agentes de impacto em seus países de origem. Iniciativas para reviver a herança de Bandung incluem a plataforma Bandung Spirit, criada em 2021 por Darwis Khudori; ela realizou Bandung-Belgrade-Havana em 2022 e planeja uma conferência itinerante para outubro de 2025. A memória de Bandung continua a moldar trocas culturais e políticas entre Indonésia e África.

Palavras difíceis

  • descolonizaçãofim do domínio político e cultural externo
  • eloligação ou relação entre coisas ou pessoas
  • diásporacomunidade dispersa de pessoas de mesma origem
  • exotizartratar algo como estranho e atraente
    exotizadas
  • periodicidadefrequência com que algo acontece no tempo
  • exclusivoacessível só a poucas pessoas ou grupos
    exclusivos
  • herançaconjunto de tradições e patrimônios transmitidos
  • itineranteque se move por vários lugares

Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.

Perguntas para discussão

  • De que maneiras a memória da Conferência de Bandung ainda influencia as trocas culturais entre Indonésia e África?
  • Como a presença de músicos e restaurantes africanos pode mudar a percepção do público local sobre a África?
  • Que vantagens e desvantagens vê em promover eventos culturais internacionais com ingressos caros?

Artigos relacionados