Em abril de 2025 pesquisadores anunciaram uma correção de identificação relacionada a restos humanos da vala do Cemitério de Perus. O caso principal envolve Dênis Casemiro, pedreiro de 28 anos e militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), morto sob tortura em maio de 1971. Seus restos, identificados e enterrados em 1991, mostraram‑se não coincidentes com as amostras atuais após novos exames.
A revisão, comunicada em 16 de abril de 2025 pelo Projeto Perus — parceria entre o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Prefeitura de São Paulo — foi coordenada pelo Centro de Antropologia Forense e Arqueologia (CAAF/Unifesp) e pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). No CAAF, os restos passaram por três tipos de análise, incluindo comparação de DNA com parentes de primeiro grau. O professor Edson Teles coordenou as novas identificações depois que o trabalho havia sido desacelerado e a comissão especial foi desfeita durante o governo de Jair Bolsonaro (2019–2022); o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconstituiu a comissão e retomou as identificações em 2024.
Os peritos estimam que a vala continha 1.092 ossos e que pelo menos 42 desaparecidos políticos foram enterrados ali. Dados genéticos foram coletados de 34 famílias e o trabalho de comparação está 80% concluído, segundo a procuradora federal regional Eugênia Augusta Gonzaga. Testes recentes produziram 100% de correspondência genética entre determinados ossos e a família Casemiro. Os ossos enterrados em 1991 como sendo de Dênis Casemiro estão agora no arquivo do Projeto Perus e não coincidem com as amostras da base atual. O projeto também identificou Grenaldo de Jesus da Silva, que tinha 31 anos quando morreu em 1972 durante um sequestro de avião no aeroporto de Congonhas. Autoridades disseram que o erro original ocorreu por limites técnicos e não por negligência; a identificação anterior usou sobreposição de fotografia sobre um crânio, antes da disponibilidade de testes de DNA. Ambas as famílias foram informadas, e documentos mostram que houve boletins de óbito falsificados e enterros anônimos, enquanto apurações posteriores levantaram testemunhas que contestaram as versões oficiais de suas mortes.
Palavras difíceis
- identificação — ato ou processo de reconhecer quem é alguémidentificações
- vala — escavação comum onde foram enterrados restos humanos
- tortura — sofrimento físico ou psicológico infligido intencionalmente
- perito — profissional especializado que analisa provas científicasperitos
- correspondência genética — grau de semelhança entre materiais de DNA
- boletim — documento oficial que registra a morte de alguémboletins
- enterro — ato de colocar um corpo em um túmuloenterros
- comissão — grupo oficial que investiga casos específicos
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Quais consequências essa correção de identificação pode ter para as famílias dos desaparecidos?
- De que forma a disponibilidade de testes de DNA mudou as investigações sobre mortos e desaparecidos políticos?
- Além dos testes científicos, que outras ações poderiam ajudar a esclarecer casos antigos como os relatados no texto?
Artigos relacionados
Romani na Grande São Paulo buscam reconhecimento
Reportagem publicada em 30 de maio de 2025 no site Agência Mural descreve a luta por reconhecimento e acesso a serviços entre romani que vivem na periferia da Grande São Paulo, incluindo problemas causados por enchentes e falta de opção no censo do IBGE.