Um estudo publicado em Production and Operations Management examinou como a passagem rápida do ensino presencial para o online durante o confinamento de 2020 afetou estudantes universitários na China. A pesquisa foi liderada por Shijie Lu, da Mendoza College of Business (University of Notre Dame), com Xintong Han (Laval University), Shane Wang (Virginia Tech) e Nan Cui (Wuhan University). Os autores emparelharam mais de 15.000 registros de quase 8.000 estudantes em nove universidades, comparando notas pré-pandemia com aquelas do período de confinamento.
Os achados mostram efeitos heterogêneos por disciplina e por políticas locais. Em disciplinas quantitativas, como matemática, os estudantes melhoraram cerca de oito a 11 pontos numa escala de 100, possivelmente porque o ensino online permitiu pausar aulas, rever exemplos e praticar exercícios no próprio ritmo. Em contraste, cursos dependentes de discussão e interpretação, como inglês, beneficiaram-se muito menos do formato virtual.
Os pesquisadores aplicaram métodos econométricos rigorosos para isolar o efeito da instrução online de outros fatores e também avaliaram como diferentes políticas de bloqueio influenciaram a aprendizagem. Ordens estritas de ficar em casa aumentaram o stress psicológico e reduziram a eficácia do ensino online. Por outro lado, certas medidas compensaram parcialmente esses efeitos:
- Fechamentos de locais de trabalho e suspensão do transporte público ajudaram alguns estudantes a manter foco e disciplina.
- Quando os pais estavam mais em casa, puderam garantir que os filhos assistissem às aulas e seguissem rotina.
- A redução do transporte diminuiu saídas sociais e distrações, criando um ambiente de estudo mais calmo.
Os autores concluem que a educação online, quando bem planejada, pode ser mais do que um recurso emergencial. Eles aconselham projetar cursos online com ferramentas digitais — por exemplo, exercícios interativos e vídeos sob demanda — em vez de simplesmente transferir palestras para chamadas de vídeo. Para políticas públicas, os resultados indicam que nem todas as medidas de confinamento têm o mesmo efeito na educação e que programas online precisam de flexibilidade e de um desenho que combine o conteúdo do curso com as circunstâncias domésticas dos alunos.
Palavras difíceis
- confinamento — período de restrições que limita o movimento das pessoas
- emparelhar — colocar dois ou mais registros juntos para compararemparelharam
- heterogêneo — com diferenças entre partes ou gruposheterogêneos
- quantitativo — relacionado a números, cálculos ou medidasquantitativas
- econométrico — relacionado a métodos estatísticos em economiaeconométricos
- isolar — separar algo para medir seu efeito
- eficácia — capacidade de produzir o efeito desejado
- compensar — reduzir ou equilibrar um efeito negativocompensaram
- rotina — sequência habitual de atividades diárias
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Como as circunstâncias domésticas dos alunos (por exemplo, pais em casa, redução do transporte) podem afetar o desempenho em cursos online? Dê exemplos.
- Quais medidas mencionadas no texto parecem mais úteis para reduzir distrações e manter o foco dos estudantes durante confinamentos? Explique por quê.
- Que ferramentas digitais (exercícios interativos, vídeos sob demanda, etc.) você considera prioritárias para melhorar a aprendizagem online? Justifique com razões.
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