O Parlamento de Victoria aprovou um tratado formal com os Povos Indígenas, o primeiro desse tipo na Austrália, após dez anos de negociações com detentores tradicionais. A legislação procura reduzir diferenças em áreas como saúde, educação e habitação, dando aos Primeiros Povos maior participação e controlo em projetos que afetem as suas comunidades.
A lei estabelece três órgãos principais e um fundo de infraestrutura para apoiar projetos comunitários. Os órgãos são:
- Gellung Warla, a Assembleia dos Primeiros Povos de Victoria como órgão representativo permanente;
- Nyerna Yoorrook Telkuna, um órgão de verdade histórica que também vai integrar esse ensino no currículo escolar;
- Nginma Ngainga Wara, um órgão de responsabilização.
Após a votação, Rueben Berg e Ngarra Murray falaram sobre o processo: Murray disse que o tratado reconhece o conhecimento dos aborígenes sobre terra, cultura e comunidades e que esse conhecimento permitirá soluções práticas para melhorar resultados. O anúncio gerou apoio público, petições online e mobilização de grupos a favor, mas também forte oposição de críticos e de partidos conservadores a nível estadual e federal.
Alguns opositores referiram o referendo Federal Voice de 2023, em que mais de 60 percento dos eleitores votaram não, e figuras como Margaret Chambers disseram que o tratado poderia criar um parlamento paralelo baseado na ancestralidade. Líderes como Bridget McKenzie e David Davis criticaram a lei, e Brad Battin prometeu revogá‑la se eleito em 2026, o que levou a petições do movimento Together for Treaty. O site oficial do Tratado esclarece que a lei não mudará a Constituição de Victoria nem a Constituição do Commonwealth, não criará uma terceira câmara, não alterará leis fiscais e não concederá reparações financeiras individuais. No dia seguinte, uma pessoa indígena conhecida como Big T escreveu no BlueSky que a assinatura não tinha causado o fim do mundo.
Palavras difíceis
- tratado — acordo oficial entre grupos ou governos
- legislação — conjunto de leis ou normas aprovadas pelo governo
- infraestrutura — obras e serviços básicos para uma comunidade
- representativo — que mostra ou representa os interesses de um grupo
- responsabilização — ato de tornar alguém responsável por ações
- ancestralidade — ligação às pessoas e culturas do passado
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Perguntas para discussão
- Que benefícios práticos podem surgir quando os detentores tradicionais participam em projetos comunitários?
- De que formas um fundo de infraestrutura pode ajudar a melhorar saúde, educação e habitação nas comunidades indígenas?
- Por que algumas pessoas se opuseram ao tratado, e que argumentos foram mencionados no texto?
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