A 98.ª cerimónia dos Óscares, marcada para 15 de março, chega num contexto de audiência em queda: o pico histórico foi de 55 milhões em 1998, enquanto a transmissão do ano passado teve 18 milhões. David Tarleton, professor e chefe do departamento de cinema e artes dos meios de comunicação na Syracuse University, argumenta que, apesar da perda de público, os prémios mantêm prestígio e influência no mercado cinematográfico.
Segundo Tarleton, vencer ou ser nomeado para um Óscar costuma aumentar a bilheteira e abrir oportunidades profissionais; um triunfo às vezes significa duplicar o salário do artista no projeto seguinte. Os prémios também podem transformar filmes pequenos em sucessos: Everything Everywhere All At Once, de 2022, começou como um projeto modesto e acabou por conquistar sete Óscares, ganhando grande visibilidade graças ao contexto dos prémios.
A relação do público com a cerimónia mudou — muitos assistem sobretudo ao tapete vermelho, à moda e aos excertos nas redes sociais — e o streaming alterou os hábitos de ver filmes, com conforto em casa (por exemplo numa TV de 75 polegadas) e menos custos como estacionamento ou babysitter, além de evitar gastar $18 em pipocas. A Academia tem reagido: anunciou transmissão exclusiva no YouTube a partir de 2029, adicionou categorias, ajustou o ritmo para as redes sociais e vê mais filmes não ingleses com a diversificação dos membros. Movimentos como #OscarsSoWhite também ajudaram a trazer novos associados, mas continua incerto se essas medidas trarão de volta o público mais jovem.