Um estudo da University of Notre Dame, realizado no Polarization Research Lab e coassinado por Marc Jacob, examinou por que alguns membros do Congresso recorrem a ataques pessoais e o que obtêm com isso. Publicado em PNAS Nexus, o trabalho parte da preocupação de que a retórica política tem se tornado menos substantiva e mais focada em ofensas pessoais.
Para mapear o padrão, os autores analisaram o 118th US Congress (3 de janeiro de 2023 a 3 de janeiro de 2025). Vincularam um banco de 2,2 milhões de declarações públicas a registros de cobertura midiática, financiamento de campanha e resultados eleitorais. Usaram um modelo de linguagem para separar críticas políticas de ataques pessoais.
Encontraram diferenças claras: ataques pessoais são 2,7 vezes mais frequentes entre republicanos do que entre democratas e 1,3 vezes mais comuns na Câmara que no Senado. Uma pequena parcela de retórica antagonista atrai desproporcional atenção: um legislador que dedica 5% da comunicação a ataques recebe cobertura em canais a cabo comparável a um colega que dedica 45% ao debate sobre políticas; os 25 membros mais combativos recebem mais atenção na TV a cabo do que os 75 menos combativos somados. Nas redes sociais, posts com insultos têm em média 606 republicações contra 244 de posts sobre políticas.
Ao mesmo tempo, atacantes frequentes mostram menor engajamento legislativo: coassinam menos projetos e recebem menos designações para comissões permanentes de prestígio. O estudo não encontrou correlação entre o uso de insultos e a animosidade partidária básica no distrito; muitos representantes abrasivos têm eleitorados relativamente moderados. Os autores alertam que a economia de atenção midiática que recompensa conflito pode enfraquecer normas democráticas. Um membro aposentado disse: "As adições mais recentes ao Congresso não se importam com política; se importam em conseguir atenção." Jacob pede que líderes partidários e guardiões da mídia mudem incentivos e "recompensem quem avança políticas". Coautores adicionais são da University of Pennsylvania e de Dartmouth College. Fonte: Notre Dame.
Palavras difíceis
- retórica — linguagem usada para persuadir ou argumentar
- ataque — ofensa dirigida a uma pessoa ou grupoataques pessoais, ataques
- vincular — ligar dados ou informações entre fontesVincularam
- modelo de linguagem — programa que analisa texto e significado
- desproporcional — maior ou menor do que o esperado
- cobertura — relato ou atenção dada pela mídia
- engajamento — participação ativa em tarefas ou debatesengajamento legislativo
- coassinar — assinar junto com outro autor ou proponentecoassinam
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Perguntas para discussão
- Que medidas líderes partidários e guardiões da mídia poderiam tomar para recompensar quem avança políticas? Dê exemplos práticos.
- De que modo a "economia de atenção" mencionada no texto pode enfraquecer normas democráticas? Explique.
- Como os dados sobre republicações em redes sociais ajudam a entender os incentivos para usar insultos na política?
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