Togo reforça controlo da expressão onlineCEFR B2
19/10/2025
Adaptado de Laura, Global Voices • CC BY 3.0
Foto de Markus Winkler, Unsplash
O governo de Togo anunciou um reforço do controlo da expressão online após grandes protestos em junho de 2025, muitos deles organizados e difundidos pela diáspora togolesa nas redes sociais. Plataformas como Facebook, YouTube, WhatsApp, Instagram, TikTok, Snapchat e X foram amplamente usadas para manifestar frustração com a família Gnassingbé, no poder há muito tempo; o presidente Faure Gnassingbé está no cargo desde 2005.
Desde junho houve interrupções repetidas do acesso à internet e muitos serviços só funcionaram com redes privadas virtuais (VPN). Em 3 de outubro de 2025 o procurador Talaka Mawana afirmou que o Estado aumentaria o controlo sobre o "uso indevido das redes sociais" e advertiu: "Qualquer pessoa que produza, reproduza, difunda, publique ou partilhe conteúdo numa plataforma digital fora do quadro jurídico existente será sujeita a processo penal sem clemência nem compromisso." Acrescentou que quem gostar ou comentar conteúdo ilegal também pode ser responsabilizado, porque a lei exige a comunicação de crimes.
O procurador referiu várias normas como base legal: o novo Código Penal, o Código da Criança, a Lei de Cibersegurança e Ciberdelinquência, o Código da Imprensa e Comunicação e a Lei de Proteção de Dados Pessoais. Em 7 de outubro a HAAC pediu aos meios que verifiquem factos, cruzem informações e preservem a dignidade e a ordem pública, listando comportamentos a evitar, como violação da privacidade, ataques à reputação, incitamento ao ódio, elogio de crimes e divulgação de segredos de defesa.
Observadores internacionais notaram limites severos à expressão; os relatórios da Freedom House de 2024 e 2025 descrevem a liberdade de expressão como extremamente limitada. Casos na região ilustram a tendência: em julho de 2025, na Costa do Marfim, Topkah Jean Japhet foi condenado a três anos de prisão e multado em FCFA 5 million (USD 8,887) por um comentário nas redes sociais, e o procurador Kone9 Braman rejeitou pedidos de perdão. Civilistas em Togo criticam a nova postura; Emmanuel Elolo Agbenonwossi, do Internet Society Togo Chapter, avisou que a punição aumentará a desconfiança e apelou a mais educação. Com penetração da internet superior a 66.56% e uso móvel generalizado, não está claro como as autoridades reduzirão a atividade online nem como as regras serão aplicadas na prática.
- Medidas oficiais baseiam-se em leis já existentes.
- As autoridades pedem verificação rigorosa dos factos.
- Organizações civis temem aumento da censura.
Palavras difíceis
- diáspora — Grupo de pessoas de um país a viver no estrangeiro
- difundir — Tornar público ou espalhar informação ou conteúdodifundidos, difunda
- rede privada virtual — Tecnologia que cria ligação segura à internetredes privadas virtuais
- incitamento ao ódio — Ações ou palavras que promovem ódio contra grupos
- processo penal — Procedimento judicial para investigar e punir crimes
- penetração — Percentual da população que usa um serviço
- censura — Controle que limita ou proíbe informação pública
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Como podem as autoridades aplicar regras online quando a penetração da internet e o uso móvel são altos?
- Quais são os possíveis riscos e benefícios de pedir verificação rigorosa dos factos pelos meios de comunicação?
- De que forma a diáspora, segundo o texto, influenciou os protestos e a difusão de informação?
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