Uma equipe da University of Michigan, liderada por Catherine Thomas, publicou na PNAS três estudos realizados em áreas rurais do Níger que exploram como fatores culturais e psicológicos influenciam o enfrentamento da pobreza. A pesquisa destaca que programas de alívio que consideram apenas necessidades materiais podem perder efeitos importantes se não levarem em conta valores locais e modelos mentais.
O primeiro estudo descreveu a visão das mulheres sobre agência: predominou um modelo interdependente, em que a capacidade de agir depende de relações, harmonia social, respeito e do progresso coletivo, e não apenas da ambição individual. O segundo estudo forneceu suporte empírico a essa visão, mostrando que fatores relacionais, como posição social, atuam ao lado de fatores pessoais, como autoeficácia, como mecanismos que ajudam a sair da pobreza.
O terceiro estudo comparou duas intervenções psicossociais e uma condição de controle. Uma intervenção seguia um modelo ocidental centrado na ambição individual; a outra foi projetada como “culturalmente sábia”, fundamentada na interdependência e nos valores locais. Apenas a intervenção culturalmente alinhada melhorou o avanço econômico das mulheres ao longo de um ano. Os autores alertam que teorias e programas desenvolvidos em contextos WEIRD podem não funcionar em outros ambientes e sugerem atenção semelhante a metas locais e modelos mentais para desenhar melhores programas de assistência.
Palavras difíceis
- agência — capacidade de tomar decisões e agir
- interdependente — que depende de relações com outras pessoas
- autoeficácia — crença na própria capacidade para realizar tarefas
- intervenção psicossocial — ação que visa mudar fatores sociais e psicológicosintervenções psicossociais
- modelo mental — ideias ou valores que orientam pensamentos e açõesmodelos mentais
- alívio — redução dos problemas materiais ou sofrimento
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Perguntas para discussão
- Como programas de assistência podem incorporar valores locais e modelos mentais sem perder eficácia prática?
- Que desafios os pesquisadores e organizações enfrentam ao adaptar intervenções desenvolvidas em contextos diferentes?
- Você acha que medir apenas resultados materiais é suficiente para avaliar programas contra a pobreza? Por quê?