Recursos marinhos de África e a economia azulCEFR B2
15/08/2025
Adaptado de Laura, Global Voices • CC BY 3.0
Foto de Priya Nain, Unsplash
Os recursos marinhos, oceânicos e lacustres de África representam uma oportunidade económica vasta e diversificada, mas continuam subexplorados. O continente tem 38 Estados costeiros e insulares e uma linha costeira de mais de 47,000 quilômetros. Mais de 90 por cento do comércio africano realiza-se por mar, e a pesca já emprega mais de 12 milhões de pessoas e sustenta a alimentação de mais de 200 milhões de africanos.
O setor gera um valor acrescentado estimado de mais de USD 24 bilhões, equivalente a cerca de 1,26% do PIB africano. Especialistas afirmam que, com desenvolvimento completo, a economia azul poderia valer mais de USD 300 billion por ano e criar até 57 million empregos até 2030. Milhões de pessoas trabalham hoje em pesca artesanal, aquacultura, transporte marítimo, turismo costeiro, biotecnologia marinha e energias renováveis marinhas.
O documentário "Africa’s Blue Pride: The Rise of the Indian Ocean", realizado por David Casimir, jornalista ambiental mauriciano da Mauritius Broadcasting Corporation e participante da African Union Media Fellowship em 2023, destaca casos em Maurícias e Madagascar. Em Maurícias cerca de 7,000 pessoas trabalham na economia azul, representando cerca de 10 percent do PIB da ilha; o país também abriga um Instituto de Oceanografia que desenvolveu e patenteou uma instalação de produção de electricidade offshore. Em Madagascar cerca de 250,000 pessoas estão registadas na pesca de pequena escala. A ilha de Rodrigues é conhecida por ecoturismo, áreas marinhas protegidas e períodos de defeso para o polvo e pesca com redes de cerco.
Apesar de existirem regras ambientais, como áreas protegidas e protocolos de pesca, persistem desafios significativos: pesca ilegal, poluição, degradação de recifes e fraca monitorização. Medidas positivas incluem o Smilo Label em ilhas pequenas, programas de observação científica e formação comunitária. A prioridade é tornar a governação inclusiva, local e baseada em ciência sólida, para que a economia azul gere empregos e proteja os ecossistemas marinhos.
Palavras difíceis
- economia azul — atividade económica baseada em recursos marinhosna economia azul
- valor acrescentado — valor extra criado pela atividade económica
- subexplorado — não totalmente aproveitado ou exploradosubexplorados
- pesca artesanal — pesca feita em pequena escala por comunidades
- defeso — período em que a pesca é proibida
- monitorização — ação de vigiar ou acompanhar uma atividade
- governação inclusiva — gestão com participação de diferentes grupos sociais
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- De que forma a economia azul poderia beneficiar as comunidades costeiras africanas? Dê exemplos baseados no texto.
- Que medidas locais e baseadas em ciência são importantes para proteger os ecossistemas marinhos, segundo o artigo?
- Que soluções práticas sugeriria para reduzir a pesca ilegal e melhorar a monitorização nas zonas costeiras?
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