Um estudo publicado na Science descreve três experimentos controlados com um único bonobo enculturado, Kanzi, que sugerem que grandes símios conseguem praticar o fingimento e imaginar objetos que não existem. Kanzi já havia sido observado fingindo e consegue seguir comandos verbais com apontar.
No primeiro experimento, dois copos transparentes e um jarro transparente vazio foram colocados sobre a mesa. O experimentador fingiu derramar suco em ambos os copos, depois fingiu esvaziar um deles e perguntou “Onde está o suco?” Na maior parte das vezes, Kanzi apontou para o copo que continha o suco fingido, mesmo quando o copo cheio mudou de lugar.
O segundo experimento colocou um copo com suco real ao lado do copo fingido; quando foi perguntado o que queria, Kanzi apontou quase sempre para o suco real, reduzindo a hipótese de que ele acreditasse em líquido invisível. No terceiro teste, com uvas, Kanzi também indicou o objeto fingido. Os autores afirmam que ele consegue gerar a ideia do objeto fingido e reconhecer que ele não é real, e planejam testar outros animais e aspectos da imaginação.
Palavras difíceis
- enculturado — que aprendeu costumes e comportamento humano
- fingimento — ato de simular ou representar algo falso
- apontar — mostrar algo com o dedo ou com gestoapontou
- hipótese — ideia possível para explicar algo observado
- esvaziar — retirar o conteúdo até ficar vazio
- reconhecer — identificar corretamente e admitir a existência
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Você acha que outros grandes símios também seriam capazes de fingir? Por quê?
- Como você explicaria o comportamento de Kanzi ao apontar para o copo com suco fingido?
- Que outras tarefas simples você sugeriria para testar a imaginação de animais?
Artigos relacionados
Ferramenta de bioluminescência mede atividade em células cerebrais vivas
Pesquisadores criaram uma ferramenta chamada CaBLAM que usa bioluminescência para registrar atividade dentro de células cerebrais. Ela funciona em camundongos e peixes-zebra e permite gravações por horas sem luz externa.
Padrões de bandos reduzem alucinações em resumos de IA
Pesquisadores usaram padrões de voo de aves para pré‑processar textos antes de passá‑los a grandes modelos de linguagem. A técnica melhora a precisão factual dos resumos, segundo estudo publicado na Frontiers in Artificial Intelligence.