Mulheres na política de Uganda enfrentam violência onlineCEFR B2
16/02/2026
Adaptado de Prudence Nyamishana, Global Voices • CC BY 3.0
Foto de Andrew Itaga, Unsplash
Ao longo da história política de Uganda, mulheres conquistaram espaços importantes. Joyce Mpanga e Winnie Byanyima foram citadas entre as líderes que abriram caminho; o Artigo 21 da Constituição de 1995 introduziu ação afirmativa e reservou um terço das vagas nos governos locais e no parlamento.
Nas eleições gerais de janeiro de 2026 várias mulheres concorreram, mas muitas enfrentaram uma onda de violência digital. As campanhas incluíram imagens manipuladas por inteligência artificial, vídeos deepfake, desinformação de género e insultos sexualizados nas redes sociais. Nawaya Gloria, advogada e ativista, revelou ter nascido com HIV e tornou‑se alvo de abusos online e de críticas públicas de um académico; ela respondeu defendendo que pretende trabalhar por mudanças, não atender a insinuações sexuais.
Houve ainda ataques contra Joyce Bagala, com uso da palavra luganda "susu" para insinuar comportamento sexual, e rumores falsos sobre Rebecca Alitwala Kadaga ter sido levada de helicóptero a um hospital em Nairobi — rumores que Kadaga negou. Deepfakes atribuíram discurso de ódio a Anita Among, e um suposto pedido de favores sexuais vinculado a um YouTuber agravou a controvérsia. Um relatório da UN Women, citando o Uganda Bureau of Statistics, indica percentagens altas de violência física e sexual: 95% das mulheres relataram experiência de violência física e/ou sexual; 49% disseram que a violência contra mulheres e meninas é comum na sua comunidade; 62% veem a violência doméstica como assunto privado; e 54% acreditam que denunciar traria crítica ou vergonha.
Não existe uma legislação específica para a violência de género facilitada por tecnologia, e o Computer Misuse Act 2011 foi usado por vezes contra dissidentes feministas, como Stella Nyanzi. Em conjunto, a tecnologia tem ampliado formas de violência já existentes e criado novas barreiras à participação política das mulheres.
Palavras difíceis
- ação afirmativa — medidas para aumentar inclusão de grupos sub-representados
- inteligência artificial — sistemas que simulam capacidades humanas por computador
- deepfake — vídeo ou áudio falso criado por tecnologiavídeos deepfake, Deepfakes
- desinformação — informação falsa ou enganosa espalhada intencionalmente
- violência de género — violência motivada por desigualdade entre sexos
- insulto sexualizado — ofensa que sexualiza ou humilha uma pessoainsultos sexualizados
- violência doméstica — violência ocorrida dentro do lar ou família
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- De que maneiras a tecnologia pode criar novas barreiras à participação política das mulheres, segundo o texto?
- Que tipos de políticas ou medidas poderiam ajudar a reduzir a desinformação e os ataques digitais contra candidatas?
- Como a reserva de um terço das vagas pode ser afetada pela violência digital e pela desinformação?
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