Buracos negros supermassivos não emitem luz e são detectados pelos efeitos sobre estrelas e gás vizinhos. Um exemplo é Sagittarius A*, no centro da Via Láctea, com massa próxima de quatro milhões de Sóis. Um estudo de Eric Coughlin e colaboradores, publicado em The Astrophysical Journal Letters, analisa em detalhe o que sucede quando uma estrela é rasgada por um desses buracos negros: a maré gravitacional alonga a estrela até formar um fluxo longo e fino de detritos.
Esse fluxo pode envolver o buraco negro devido a efeitos relativísticos previstos pela Teoria Geral da Relatividade, não pela gravidade newtoniana. Partes do fluxo em rotação podem sofrer precessão nodal se o buraco negro gira; essa precessão pode deslocar os detritos fora do plano original e fazer com que as colisões entre parcelas do fluxo ocorram só depois de várias órbitas. O atraso ou a ausência imediata de colisões altera o brilho e o tempo do clarão, contribuindo para a diversidade das curvas de luz observadas em TDEs.
Equipes lideradas por Lucio Mayer (University of Zurich) e por Coughlin usaram hidrodinâmica por partículas suavizadas, integrando as equações de Navier–Stokes, e empregaram dezenas de bilhões de partículas em GPUs de supercomputadores. Essas simulações de alta resolução mostram um fluxo estreito e coerente que segue trajetórias previsíveis antes de colidir, ao contrário de modelos anteriores de baixa resolução que produziam um padrão pulverizado e dissipaçao excessiva. Três fatores principais influenciam o resultado:
- Massa do buraco negro
- Rotação do buraco negro
- Orientação da rotação em relação à órbita dos detritos
Com simulações melhores e telescópios mais potentes, os astrônomos poderão interpretar com mais clareza os sinais vindos desses eventos e relacioná-los às propriedades dos buracos negros.
Palavras difíceis
- buraco negro — Objeto espacial com gravidade muito intensa.Buracos negros
- supermassivo — com massa muito maior que o habitualsupermassivos
- maré gravitacional — Força que estica objetos por gravidade diferencial
- precessão nodal — Mudança do plano orbital devido à rotação
- detrito — Restos de matéria expulsos ou separados no espaçodetritos
- hidrodinâmica — Estudo do movimento de fluidos e suas equações
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Perguntas para discussão
- Como a precessão nodal causada pela rotação do buraco negro pode mudar o brilho observado num evento de ruptura estelar? Explique com suas palavras.
- De que forma simulações de alta resolução e telescópios mais potentes podem ajudar os astrônomos a entender melhor propriedades dos buracos negros? Dê exemplos práticos.
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