Cimento no Nepal: autossuficiência, investimentos e custos ambientaisCEFR B2
25/11/2025
Adaptado de Qian Sun, Global Voices • CC BY 3.0
Foto de JC Gellidon, Unsplash
O setor do cimento no Nepal cresceu rapidamente após o sismo de Gorkha de 2015, que elevou a procura por material de construção. Grandes investimentos privados, em particular de empresas chinesas, ampliaram a capacidade industrial: a Hongshi assinou em 2017 um acordo de USD 359 million e formou uma joint venture com a Shivam Cement, ficando com 70 por cento e meta de 12,000 toneladas por dia; em 2019 a Huaxin entrou com USD 140 million e alvo de 3,000 toneladas por dia.
Hoje o Nepal tem reservas de calcário estimadas em 1.07 bilhões de toneladas e uma capacidade instalada que pode chegar a 22 million tons por ano, com 124 fábricas registadas e 72 em operação. A indústria movimenta cerca de NPR 150 billion (over USD 1 billion) por ano e começou a exportar cimento para a Índia em julho de 2022; as exportações renderam NPR 3.85 billion (USD 24 million) no ano financeiro 2023/24.
Os investimentos trouxeram empregos e obras de infraestruturas locais, por exemplo o projeto em Nawalparasi que teria gerado pelo menos 10,000 empregos. Porém os custos ambientais e sociais cresceram: as cheias de setembro de 2024, causadas por chuvas fortes, mataram quase 250 pessoas em todo o país e, no vale de Rosi, pelo menos 69 mortes foram ligadas a pedreiras não regulamentadas e extração de areia. Estudos e inquéritos de 2021 registraram poluição do ar, da água, do solo e ruído provocados por centrais de cimento e má gestão de minas.
Pressões políticas e comerciais também influenciam o setor: a partir de 2024 a Índia deixou de emitir carimbos IS para cimento fabricado no Nepal, reduzindo o acesso ao mercado. Observadores apontam que projetos financiados pela China podem ser difíceis de contestar porque usam tecnologia mais recente e prometem benefícios locais, mesmo quando os impactos permanecem significativos. Casos passados, como a Himal Cement Factory (1967–2002) e o assassinato do ativista Dilip Mahato, mostram escolhas difíceis entre desenvolvimento e proteção ambiental. O Nepal comprometeu‑se a emissões líquidas zero até 2045, mas a expansão do cimento aumenta esse desafio.
Palavras difíceis
- sismo — movimento forte e repentino da crosta terrestre
- procura — necessidade ou demanda por um produto
- calcário — rocha usada para fabricar cimento
- capacidade — quantidade máxima que algo pode produzir
- pedreira — local onde se extrai pedra ou mineraispedreiras
- extração — ato de retirar materiais do solo
- poluição — contaminação do ar, água ou solo
- emissão — libertação de gases para a atmosferaemissões
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Que medidas o Nepal poderia adotar para reduzir os custos ambientais da expansão do setor do cimento?
- Como os investimentos estrangeiros, especialmente de empresas chinesas, complicam as decisões entre desenvolvimento e proteção ambiental?
- De que forma a perda dos carimbos IS pode afetar as empresas nepalesas e o comércio com a Índia?
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