Digestores de esterco em fazendas de laticínios selam tanques de esterco e capturam metano para convertê‑lo em combustível. Um novo estudo, publicado em Environmental Research Letters, usou oito anos de observações por satélite e por avião para avaliar a eficácia desses sistemas na Califórnia, com medições em 98 dairies antes, durante e depois da instalação.
A equipa liderada por Alyssa Valdez constatou que o número de plumas fortes de metano diminuiu após a instalação, indicando que os digestores funcionam, na maioria dos casos. O trabalho complementa estudos anteriores que mostraram reduções substanciais quando um digestor é bem gerido, chegando a cerca de 80% em exemplos analisados.
No entanto, os investigadores registaram vazamentos ocasionais muito intensos — em alguns casos da ordem de 1.000 kilograms per hour —, enquanto as emissões típicas de lagoas abertas variam entre 20 e 100 kilograms per hour. Também foram observados picos durante a construção e a instalação, fases raramente medidas. Satélites permitiram acompanhar mudanças em muitos locais ao longo do tempo, e medições aéreas ajudaram a localizar plumas concentradas sobre infraestruturas específicas; o método não capta libertações mais difusas de lagoas, por isso a equipa recomenda combinar observações remotas com medições no local.
A Califórnia continua a investir em digestores, com centenas já a operar ou em desenvolvimento. Alguns operadores ventilaram gás quando não foi possível queimá‑lo por regras de qualidade do ar ou para manutenção. O estudo conclui que a maioria dos sistemas está a funcionar bem e que grandes vazamentos são relativamente incomuns, mas pede monitorização cuidadosa para garantir os benefícios climáticos. Como disse Valdez, "Precisamos começar a preocupar‑nos com cocó" e a verificar que essas soluções estão realmente a funcionar.