História e direitos LGBTQ+ na República ChecaCEFR B2
13/04/2026
Adaptado de Laura, Global Voices • CC BY 3.0
Foto de Daniel Silva, Unsplash
Na República Checa o debate sobre os direitos LGBTQ+ é marcado por uma contradição: atitudes públicas relativamente tolerantes coexistem com frequentes ataques de natureza política. Cerca de 20 por cento da população diz ser crente, e o país é muitas vezes visto como mais tolerante do que outras partes da Europa Central e Oriental, mas as proteções legais e sociais ainda são incompletas. A homossexualidade foi descriminalizada em 1961 e as uniões registadas foram introduzidas em 2006. Embora quase dois terços da população apoiem o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o Parlamento não aprovou esse projeto de lei. Em 2024 houve mudanças positivas na lei sobre herança para casais do mesmo sexo.
Relatórios e estudos recentes mostram problemas contínuos: um estudo de 2024 concluiu que mais de 40 por cento das pessoas LGBTQ+ sofreram abuso verbal ou físico e que, em mais de 90 por cento dos casos, as vítimas não apresentaram queixa. Figuras públicas por vezes empregam linguagem homofóbica — entre as citadas estão Miloš Zeman, Petr Fiala e Pavel Fischer. Em fevereiro de 2026 o ministro dos Negócios Estrangeiros Petr Macinka, do partido Motorists for Themselves, participou da Conferência de Segurança de Munique e entrou em choque com a ex-secretária de Estado dos EUA; suas declarações sobre gênero foram apontadas por críticos como sinal de um padrão de impunidade.
Para enfrentar a ignorância pública e a hostilidade política, a ONG Společnost Pro Queer Pamět lançou um projeto de história pública. Em fevereiro de 2022 apresentou o mapa interativo Queer Prague; o guia começou como um livro em 2014 e hoje lista 160 pontos em Praga. Cada ponto traz informação histórica e cultural, e o local mais antigo do mapa data de 1376, ano do primeiro registo de um julgamento por homossexualidade. O projeto cresceu a partir de uma conferência académica em 2009 e do trabalho do historiador Jan Seidl, destacando artistas como Jan Zrzavý e Toyen e espaços como Náměstí Republiky, até 1918 conhecido como Josef Square, local de encontro para homens gays. A ONG pretende educar cidadãos e preservar a memória queer como forma de apoiar direitos civis e direitos humanos.
Palavras difíceis
- contradição — situação de ideias ou fatos opostos
- descriminalizar — tirar caráter criminoso de uma condutadescriminalizada
- união — relação legal entre duas pessoasuniões
- herança — bens ou direitos recebidos após morte
- abuso — tratar mal verbalmente ou fisicamente alguém
- impunidade — falta de punição por atos errados
- homofóbico — preconceito ou hostilidade contra pessoas LGBThomofóbica
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Como um projecto de história pública como o Queer Prague pode influenciar atitudes e políticas sociais?
- Que medidas legais ou sociais, mencionadas ou implícitas no texto, parecem ainda faltar para proteger plenamente pessoas LGBTQ+?
- Por que muitas vítimas de abuso não apresentam queixa, e que mudanças poderiam aumentar as denúncias?
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