Cuidado com a linguagem sobre inteligência artificialCEFR B2
16/04/2026
Adaptado de Daria Dergacheva, Global Voices • CC BY 3.0
Foto de Brett Jordan, Unsplash
A chegada dos grandes modelos de linguagem após a disponibilização do ChatGPT pela OpenAI em novembro de 2022 mudou o debate público sobre inteligência artificial e continua sendo um tema central em 2026. Esta reportagem integra a série "Não pergunte à IA, pergunte a um colega", uma colaboração entre Global Voices, a Association for Progressive Communication e GenderIT.
A IA generativa produziu efeitos mistos: perturbou práticas educacionais, deu a alguns programadores novas ferramentas e foi usada em contextos de guerra. Muitas empresas de IA ainda não têm modelos de negócio lucrativos e não conseguem propor soluções claras ao setor empresarial. Além disso, várias firmas estão ligadas a antigos oligarcas da tecnologia: por exemplo, o Google desenvolve o Gemini; a Microsoft investiu na Anthropic e na OpenAI; a Meta tem o Llama; Elon Musk comprou e desmantelou o Twitter e oferece o Grok; Jeff Bezos investe em sete empresas, incluindo a Perplexity AI e a startup holandesa Toloka.
Parte da confusão pública vem de como a tecnologia é descrita. Erros que aparecem nas respostas foram apelidados de "alucinações", mas são, na prática, equívocos estatísticos — alguns pesquisadores estimam taxas de erro da ordem de 25–30%. Documentos como o Claude’s Constitution da Anthropic incluem trechos que tratam a existência do sistema de forma quase introspectiva, e juristas e filósofas alertaram que essa linguagem pode conferir status moral ou legal indevidos à IA. Pesquisadores observam também que modelos são projetados para escrever em primeira pessoa e que vozes sintéticas buscam soar humanas; isso gera gentilezas desnecessárias e linguagem que prioriza engajamento sobre utilidade.
Especialistas defendem mudança de linguagem e de prioridades: lembrar que a IA generativa repete padrões humanos e opera por automação probabilística; evitar o marketing das empresas; e concentrar‑se em segurança, direitos e na valorização da criatividade e da conexão humanas.
Palavras difíceis
- disponibilização — ato de oferecer acesso público a um serviço
- inteligência artificial — sistemas computacionais que simulam capacidades humanas
- generativo — que produz conteúdo novo a partir de dadosgenerativa
- alucinação — erro em resposta de um modelo que parece realalucinações
- equívoco — erro ou juízo incorreto baseado em cálculo estatísticoequívocos
- oligarca — pessoa com grande poder econômico e políticooligarcas
- automação probabilística — processo que escolhe ações com base em probabilidades
- engajamento — interesse e interação do público com conteúdo
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- De que forma mudar a linguagem usada para falar sobre IA pode alterar a perceção pública e as decisões políticas?
- Que problemas podem resultar do facto de muitas empresas de IA não terem modelos de negócio lucrativos?
- Como as escolas e professores podem responder à perturbação das práticas educacionais causada pela IA generativa?
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