IA generativa e a nova face da desinformação estrangeiraCEFR B2
14/11/2025
Adaptado de Metamorphosis Foundation, Global Voices • CC BY 3.0
Foto de Hartono Creative Studio, Unsplash
A entrevista publicada em November 12, 2025 por Antidisinfo.net, republicada em parceria com Global Voices e Metamorphosis Foundation, analisa como a inteligência artificial generativa transformou as campanhas de desinformação. Laura Jasper, do The Hague Centre for Strategic Studies (HCSS), descreve três características centrais: velocidade — conteúdo falso espalha‑se mais depressa; escala — mensagens podem ser difundidas amplamente e de forma repetida; e personalização — comunicações adaptadas em grande escala para públicos distintos.
Sobre atribuição, Jasper argumenta que identificar com certeza o autor de campanhas complexas deu lugar a julgamentos de probabilidade, porque os adversários recorrem a procuradores, bandeiras falsas e ferramentas comerciais, incluíndo IA generativa. A recomendação é que os analistas atribuam níveis de confiança (baixo, médio, alto) e publiquem a base das suas provas, o que preserva a credibilidade e permite construir conhecimento partilhado.
Os estudos do HCSS sobre a Europa e o Indo‑Pacífico revelam uma vulnerabilidade comum: elevada dependência de plataformas comerciais aliada a fraturas na confiança social, como polarização e baixa confiança nas instituições. Para medir o sucesso de uma campanha estrangeira, é preciso procurar mudanças observáveis no comportamento — por exemplo redução da participação eleitoral ou aumento de protestos — e definir linhas de base e contrafactuais. Jasper recomenda combinar dados quantitativos (inquéritos, dados de mobilidade, registos de transações ou de participação) com perceções qualitativas (entrevistas, grupos focais). Ela refere o estudo Start with the End: Effect Measurement of Behavioural Influencing in Military Operations como base para esta abordagem.
Quanto a zonas legais "cinzentas", Jasper recusou aconselhar métodos fora da lei e propôs um envolvimento amplo na sociedade. Atores locais — construtores de comunidade, jornalistas de investigação e outros — devem ajudar a construir confiança, e as respostas devem ser tratadas de forma mais granular nas comunidades, não apenas nos níveis mais altos do governo.
Palavras difíceis
- desinformação — informação falsa criada para enganar pessoas
- personalização — adaptação de mensagens a públicos específicos
- atribuir — dar ou indicar responsabilidade, causa ou valoratribuam
- contrafactual — cenário alternativo para comparar resultados reaiscontrafactuais
- credibilidade — grau em que algo ou alguém inspira confiança
- polarização — divisão forte de opiniões entre grupos sociais
- vulnerabilidade — condição de estar suscetível a danos ou ataques
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Como a personalização em grande escala pode dificultar a identificação e a resposta à desinformação numa comunidade? Explique com exemplos.
- Que vantagens e limitações têm os dados quantitativos e as perceções qualitativas quando se mede o impacto de uma campanha de influência? Dê razões.
- Que papel podem ter atores locais, como jornalistas de investigação e construtores de comunidade, na construção de confiança contra campanhas estrangeiras?
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