Durante a UNGA80, em Nova Iorque, formuladores de políticas africanos veem oportunidade para reformar o financiamento da saúde no continente. Obinna Ebirim, assessor técnico sênior sobre saúde dos jovens e pesquisa de políticas junto ao Ministro do Desenvolvimento da Juventude da Nigéria, pede parcerias mais justas com doadores e maior responsabilidade dos governos nacionais sobre os gastos em saúde.
Ebirim afirma que a ajuda internacional foi essencial para combater malária e HIV, mas que a dependência de financiamento externo cria vulnerabilidades. Quando o apoio muda ou termina, programas de HIV, TB, malária e nutrição enfrentam perturbações: falta de insumos, redução de serviços em hospitais e perda de empregos entre trabalhadores cujo pagamento vinha de projetos de doadores. Na Nigéria, parceiros estrangeiros financiam grande parte das campanhas de vacinação, vigilância de doenças e incentivos para profissionais.
Ele identifica dois problemas estruturais: falta de recursos humanos — com migração de médicos, enfermeiros, parteiras e agentes comunitários quando salários de doadores acabam — e fragilidade das infraestruturas, como falta de eletricidade confiável, água corrente e suprimentos básicos. Como parte da solução, cita políticas de força de trabalho para jovens e o National Health Fellows Programme, no âmbito do Health Sector Renewal Investment Initiative. O programa recrutou 774 jovens, um por área de governo local, e os empregou após estágio, criando profissionais para cadeias de abastecimento, saúde digital e pesquisa.
Na agenda da UNGA80 há reuniões sobre o financiamento da saúde em África, incluindo VitalTalks Live at UNGA sobre The Future of Health Financing in Africa (23 de setembro), o Health Forum da Foreign Policy (24 de setembro) e um evento paralelo da UNITAID sobre promoção da saúde das mulheres e financiamento inovador. Ebirim insta líderes africanos a priorizar o financiamento da saúde, destacar a crise de recursos humanos, promover colaboração regional e exigir responsabilidade aos seus governos, enquanto pede que doadores alinhem apoio às prioridades governamentais e reforcem capacidades.
Palavras difíceis
- financiamento — dinheiro destinado a um serviço ou projeto
- vulnerabilidade — condição de estar exposto a riscosvulnerabilidades
- insumo — bens ou materiais necessários para serviçosinsumos
- infraestrutura — obras e serviços básicos de um paísinfraestruturas
- vigilância — observação ou monitoramento de doenças
- responsabilidade — dever de responder ou prestar contas
- cadeia de abastecimento — processo que entrega bens aos pontos finaiscadeias de abastecimento
- promover — apoiar ou incentivar uma ação ou ideia
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Perguntas para discussão
- Que vantagens e riscos existem na dependência de financiamento externo para a saúde pública em países africanos? Explique com exemplos do texto.
- Que medidas os governos nacionais podem tomar para aumentar a responsabilidade sobre os gastos em saúde e reduzir vulnerabilidades?
- Como programas de recrutamento e estágio, como o National Health Fellows Programme, podem ajudar a diminuir a migração de profissionais de saúde? Dê razões.
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