Países africanos estão a introduzir lenacapavir, uma injeção preventiva de longa duração contra o VIH administrada duas vezes por ano. O lançamento começou com um programa piloto entre dezembro de 2025 e fevereiro deste ano e depois foi ampliado para 27 locais, com cerca de 3.000 pessoas atendidas até ao momento, segundo o Ministério da Saúde de Eswatini. Em Eswatini, onde a prevalência do VIH é elevada, a vacina foi a primeira a ser disponibilizada.
A procura superou a oferta inicial: o stock quase se esgotou e organizações humanitárias relataram entregas muito pequenas. A Médicos Sem Fronteiras disse ter recebido apenas 70 doses numa clínica em Eswatini e que as usou em poucas semanas; uma das suas clínicas no Quénia operou com menos de 40 doses. Nove países receberam lotes iniciais, entre eles Eswatini, Quénia, Lesoto, Moçambique, Nigéria, África do Sul, Uganda, Zâmbia e Zimbabué.
Em abril, a Gilead e os parceiros PEPFAR e o Global Fund anunciaram um aumento de fornecimento: mais um milhão de pessoas, elevando o compromisso total para três milhões ao longo de três anos. A Gilead afirmou que fornece lenacapavir sem lucro a esses programas e que se espera que versões genéricas em larga escala comecem a ser distribuídas a partir de 2027. A Médicos Sem Fronteiras criticou o alcance do compromisso como insuficiente e destacou que Argentina, Brasil, México e Peru foram excluídos do acordo de licenciamento genérico, países que representam um quarto das novas infeções por VIH.
O processo de implementação também mostra desafios locais. No Quénia, chegaram 21.000 doses iniciais em fevereiro, com 12.000 doses de continuação esperadas em abril e mais 25.000 prometidas pelo governo dos EUA; a primeira fase arrancou em março em 15 condados de alta incidência, e o medicamento foi oferecido a um custo anual estimado de 7.800 Kenyan Shillings (US$60) por paciente. Grupos comunitários alertam que custos de transporte, perda de rendimentos, longas esperas nas clínicas e falta de informação limitam o acesso das pessoas mais pobres. Organizações locais, como a CFK Africa em Kibera, pedem subsídios direcionados, acordos de partilha de dados e vigilância integrada para garantir uma adoção equitativa e monitorizar a segurança.
Palavras difíceis
- lenacapavir — medicamento novo para prevenir infeção por VIH
- injeção — administração de medicamento por agulha
- prevalência — percentual de pessoas com determinada doença
- fornecimento — ato de disponibilizar bens ou serviços
- genérico — produto similar sem marca comercialgenéricas
- subsídio — ajuda financeira do governo ou organizaçãosubsídios
- vigilância — monitorização contínua para detectar problemas
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Perguntas para discussão
- Que medidas poderia tomar o governo para reduzir os custos indiretos (transporte, perda de rendimentos) e melhorar o acesso à injeção preventiva? Dê razões.
- Como a exclusão de países como Argentina, Brasil, México e Peru de um acordo de licenciamento genérico pode afetar o controlo das novas infeções por VIH nesses países?
- Que vantagens e riscos vê na distribuição de versões genéricas em larga escala a partir de 2027?
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