Cientistas vêm monitorando sinais cada vez mais claros de El Niño porque o aquecimento da superfície do Pacífico equatorial pode alterar padrões climáticos e afetar a temporada de furacões do Atlântico. O aquecimento no Pacífico tende a aumentar o cisalhamento vertical dos ventos em níveis superiores sobre o Atlântico, o que pode desfazer tempestades tropicais em formação.
O European Centre for Medium-Range Weather Forecasts projeta maior probabilidade de um El Niño forte neste ano. Emily Becker, da University of Miami, afirma que a maioria dos modelos climáticos por computador prevê El Niño ainda este ano e que as águas subsuperficiais do Pacífico tropical estão mais quentes que o normal. Eventos de El Niño costumam ocorrer a cada dois a sete anos e duram de nove a 12 meses; La Niña é o oposto, com águas mais frias.
- Atlântico: um El Niño forte pode suprimir furacões ao aumentar o cisalhamento dos ventos.
- Sudeste dos EUA: invernos tendem a ser mais úmidos.
- Sudoeste dos EUA: invernos mais úmidos e frios podem aliviar a seca.
- Costa Oeste e Pacífico: há risco maior de inundações, deslizamentos e mais tempestades tropicais.
Ben Kirtman alerta que o efeito final dependerá do momento de início; um El Niño tardio teria pouco efeito sobre o cisalhamento no Atlântico. Temperaturas muito quentes do Atlântico também podem compensar o aumento do cisalhamento. A Oscilação Madden‑Julian, com ciclos de 30 a 60 dias, pode aumentar ou reduzir a atividade de tempestades conforme sua fase úmida coincida com a temporada de furacões.
Há limites no uso de inteligência artificial para previsões do ENSO porque existem apenas cerca de 75 anos de observações, com aproximadamente 25 casos de El Niño e 25 de La Niña. Por enquanto, os meteorologistas dependem de modelos dinâmicos e de sistemas multimodelo, como o North American Multi‑Model Ensemble desenvolvido por Kirtman, que ajudam a orientar os prognósticos da NOAA. Cientistas seguirão monitorando as temperaturas do Pacífico, enquanto moradores dizem que vão permanecer preparados.
Palavras difíceis
- monitorar — observar continuamente para obter dadosmonitorando
- subsuperficial — localizadas abaixo da superfície do oceanosubsuperficiais
- cisalhamento — diferença de velocidade entre camadas de vento
- prognóstico — previsão sobre condições futuras do tempoprognósticos
- multimodelo — uso combinado de vários modelos de previsão
- oscilação — variação periódica na atmosfera com fases
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Perguntas para discussão
- Como as previsões de um El Niño forte podem influenciar o planejamento de prevenção em áreas costeiras?
- Quais são os benefícios e as limitações de confiar em modelos multimodelo versus inteligência artificial para prever fenômenos climáticos?
- De que forma temperaturas mais quentes do Atlântico podem alterar os efeitos previstos de um El Niño na atividade de furacões?
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