Desigualdade na governação da inteligência artificial em ÁfricaCEFR B2
7/11/2025
Adaptado de Abdallah Abdallah, Global Voices • CC BY 3.0
Foto de The New York Public Library, Unsplash
A governação da inteligência artificial está a dividir muitos países entre Norte Global e Sul Global. A discussão central é quem vai lucrar e se as regras serão democráticas ou dominadas por interesses empresariais. A história das tecnologias, muitas vezes ligada a exploração durante a era colonial, influencia estas posições.
O texto descreve duas pedagogias tecnológicas: a “Protestant pedagogy”, que permite adaptação local, e a “Catholic pedagogy”, que gera dependência dos criadores da tecnologia. Acemoglu and Robinson tratam de temas semelhantes em Why Nations Fail (2012).
As previsões económicas mostram desigualdade: o World Economic Forum estima USD 15.7 trillion até 2030, com ganhos maiores para países de rendimento elevado. África gera grandes quantidades de dados, mas apenas 2 percent dos centros de dados estão no continente. Na COSAA 2025 houve forte ceticismo sobre quem beneficiará, e trabalhadores de dados e condutores de plataformas em África enfrentam desigualdades maiores do que no Norte Global.
- O AFRINIC foi criado para apoiar soberania digital.
- Nearly 7 million IPv4 addresses adquiridos pela Cloud Innovation levantaram preocupações.
- A empresa foi fundada por Lu Heng e registada nas Seychelles.
- Endereços são alugados a empresas na China, Filipinas e Hong Kong.
Em January 2025 a Biden administration publicou um Interim Final Rule que limita a distribuição de chips avançados e classifica países em Tier 1 e Tier 2; Over 90 percent dos países do Tier 1 têm acesso sem restrições, enquanto muitos países do Sul Global estão no Tier 2 com acesso limitado. O texto nota que o atual Presidente dos EUA, Donald Trump, planeia eliminar este sistema e negociar diretamente, o que pode alterar o acesso mas pode não torná-lo mais igual.
Os desafios no Sul Global incluem ecossistemas de dados fracos, leis de dados variadas e problemas de qualidade. Mais de 40 countries promulgaram leis de proteção de dados, criando fragmentação. O apelo é por governação inclusiva: transparência, justiça, supervisão humana e cooperação regional. Propõe-se que as Nações Unidas alinhem a IA com objetivos globais e trabalhem com organismos regionais para melhorar normas, proteção e participação nos dados, de modo que a IA possa apoiar um desenvolvimento mais equitativo.
Palavras difíceis
- governação — processo de criar e aplicar regras e políticas
- exploração — uso injusto de pessoas ou recursos
- pedagogia — método ou abordagem de ensino ou usopedagogias
- dependência — situação de precisar de outra pessoa ou coisa
- soberania — controle e autonomia sobre recursos digitais
- ecossistema — conjunto de organizações e recursos interligadosecossistemas
- fragmentação — divisão em partes que não se coordenam
- transparência — clareza e acesso à informação pública
- supervisão — vigilância ou controlo humano sobre processos
- desigualdade — diferença injusta no acesso ou benefíciosdesigualdades
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Como a fragmentação das leis de proteção de dados pode afetar a capacidade dos países do Sul Global de beneficiar da IA? Dê razões ou exemplos.
- Que ações regionais ou multilaterais podem aumentar a soberania digital e a participação nos dados em África? Cite medidas práticas mencionadas ou sugeridas no texto.
- Se o sistema de Tier for eliminado e os EUA negociarem diretamente, quais riscos e benefícios isso pode trazer para a equidade no acesso a tecnologias? Explique com base no texto.
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