Pesquisadores da University of Missouri estão testando algas geneticamente modificadas para remover microplásticos da água. O projeto é liderado por Susie Dai, professora da College of Engineering e investigadora principal no Bond Life Sciences Center. A ideia une remoção de poluentes e aproveitamento de recursos.
As algas foram modificadas para produzir limoneno, um óleo natural que torna as células repelentes à água. Como muitos microplásticos são hidrofóbicos, as partículas e as algas tendem a se agrupar, formando coágulos. Esses aglomerados afundam e criam uma camada sólida de biomassa no fundo, o que facilita a coleta e a remoção em comparação com partículas dispersas. Além disso, as algas podem crescer em águas residuais usando nutrientes em excesso e assim contribuir para o tratamento da água.
Dai afirma que a abordagem pode resolver vários problemas ao mesmo tempo: “Ao remover os microplásticos, tratar as águas residuais e, eventualmente, usar os plásticos removidos para criar produtos de bioplástico úteis, podemos enfrentar três questões com uma única abordagem.” A equipe já construiu um biorreator de 100 litros chamado “Shrek”, que foi usado em testes com gás de chaminé industrial, e espera adaptar sistemas maiores para estações de tratamento. A pesquisa está em estágio inicial e o estudo foi publicado em Nature Communications.
Palavras difíceis
- limoneno — um óleo natural com cheiro cítrico
- hidrofóbico — que não se mistura com águahidrofóbicos
- biomassa — matéria orgânica acumulada de organismos vivos
- biorreator — equipamento para cultivar organismos controladamente
- estação de tratamento — local onde se trata água e esgotoestações de tratamento
- água residual — água que contém poluentes após uso humanoáguas residuais
- aglomerado — conjunto de coisas que se juntamaglomerados
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Quais desafios você imagina ao adaptar um biorreator pequeno como o 'Shrek' para estações de tratamento maiores?
- Que vantagens e riscos você vê no uso de algas geneticamente modificadas em sistemas de água naturais?
- De que forma transformar os plásticos removidos em bioplástico poderia influenciar a gestão de resíduos na sua cidade?
Artigos relacionados
Glitter do Carnaval aumenta microplásticos na Praia do Flamengo
Um estudo na Praia do Flamengo em 2024 mostrou que o Carnaval aumentou a poluição por microplásticos, especialmente glitter. As partículas vieram da areia e permaneceram elevadas por vários dias; há alternativas ao glitter plástico.
Vitamina C pode proteger a fertilidade contra perclorato
Um estudo com peixe sugere que a vitamina C reduz os danos reprodutivos causados pelo perclorato de potássio, um químico comum em explosivos e fogos. Os peixes tratados com vitamina C tiveram melhor fertilidade do que os expostos apenas ao químico.
Lítio na Nigéria: investimento chinês e desafios
Descobertas de lítio na Nigéria atraem investidores, com forte presença chinesa e mais de USD 1.3 bilhão investidos em processamento. O governo exige mais processamento local e há preocupações sobre mineração artesanal e trabalho infantil.