IA, narrativa e resistência: estudos sobre tecnologia e sociedadeCEFR B2
29/04/2026
Adaptado de Guest Contributor, Global Voices • CC BY 3.0
Foto de Christian Wiediger, Unsplash
Em abril de 2026, a Global Voices publicou uma série Spotlight sobre perspetivas humanas da inteligência artificial. Como parte de um projeto relacionado, o International Resource for Impact and Storytelling (IRIS), com apoio de financiadores, encomendou 10 estudos de caso a organizações e investigadores da Global Majority. Os casos cobrem regiões diversas: América Latina e Caribe, região Árabe, Nigéria, Tunísia, Índia e Hong Kong.
As análises salientam três respostas da sociedade civil: apropriação, resistência e inovação. Na apropriação, exemplos como a colaboração entre actores no Brasil e laboratórios de narrativa usam IA para testar mensagens que reduzam o apoio público à violência policial em favelas. Na resistência, grupos como a Derechos Digitales fazem campanhas contra o uso generalizado de reconhecimento facial por autoridades no Brasil e no Chile. Na inovação, coletivos de jornalistas — por exemplo, o Alharaca em exílio — experimentam encontros offline, jogos de tabuleiro e instalações sonoras, enquanto activistas em Hong Kong recorrem ao humor, linguagem codificada e organizações de vida curta para escapar à vigilância.
Dois movimentos espaciais aparecem com força: o retorno ao hiperlocal para centrar vozes da base e a construção de redes transfronteiriças para partilha de lições e solidariedade. A flexibilidade operacional é destacada pelos autores; infraestruturas efémeras — micro-grupos, coletivos informais, coordenadores rotativos e redes de voluntariado — permitem surgimento, dissolução e reconfiguração rápidas. Por isso, os estudos defendem que financiadores apoiem essa agilidade.
A pesquisa enfatiza ainda as redes e a interação entre narrativa, tecnologia e política. Aliances descentralizadas, apoio técnico e financiamento sustentado para o que o Polis Project chama de “infraestrutura de resistência” são vistos como fundamentais. Apesar dos riscos sérios de vigilância e concentração de poder, os estudos mostram actores de justiça social a adaptar ferramentas e cultura para fortalecer o poder popular em defesa da democracia e dos direitos. Brett Davidson, fundador da Wingseed LLC, trabalha com o IRIS como líder na construção dessa infraestrutura narrativa.
Palavras difíceis
- apropriação — ato de adotar e usar algo por um grupo
- resistência — ação para opor-se a algo ou rejeitar
- hiperlocal — foco em assuntos e comunidades muito locais
- transfronteiriço — que envolve várias fronteiras ou paísestransfronteiriças
- efémero — que dura pouco tempo; temporário ou passageiroefémeras
- reconhecimento facial — tecnologia que identifica pessoas pelo rosto
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Que vantagens e riscos vê para grupos locais ao usar estratégias hiperlocais em defesa de direitos? Explique com exemplos do texto.
- Como redes transfronteiriças podem ajudar movimentos sociais a enfrentar vigilância e concentração de poder? Dê dois possíveis benefícios.
- Os financiadores devem apoiar apenas iniciativas formais ou também micro-grupos efémeros? Justifique sua opinião com base nas informações do artigo.
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