O linfoma difuso de grandes células B é tratado de rotina com um anticorpo que mira as células B combinado com quatro medicamentos de quimioterapia. Essa abordagem cura muitos pacientes, mas falha em cerca de três em cada dez, e a quimioterapia pode causar dano cardíaco, um risco especialmente relevante para pessoas mais velhas. Como os médicos não conseguem prever quem vai responder, há relutância em testar esquemas mais novos e potencialmente menos tóxicos.
Um novo estudo em cães de estimação analisou amostras de sangue de um ensaio clínico anterior conduzido pela Cummings School of Veterinary Medicine da Tufts University e pela UMass Chan Medical School. No ensaio, os cães foram alocados aleatoriamente a três regimes; cada regime combinou um anticorpo canino equivalente ao humano e baixa dose de doxorrubicina, seguida por uma das três imunoterapias experimentais — duas delas também em testes humanos. Em vez de estudar tecido tumoral, a equipa mediu a atividade gênica em células imunes circulantes. As coletas ocorreram antes do tratamento, sete dias de tratamento (pouco antes da nova imunoterapia), ao fim do ciclo e, depois, na recidiva ou aos 400 dias quando o cão permaneceu livre da doença.
Os pesquisadores compararam padrões entre cães com recidiva rápida e cães que viveram muito mais tempo. A atividade de dois genes, CD1E e CCL14, associou-se à sobrevivência em longo prazo; CD1E facilita o reconhecimento do tumor por células T e CCL14 favorece o recrutamento de células imunes. Em contraste, genes estimulados por interferon ligaram-se de forma consistente a piores desfechos, incluindo sobrevida mais curta e recidiva precoce. Entre os genes de alerta precoce identificados estão TBHD, NPNT e ISG20, detectáveis já uma semana de tratamento.
Uma das coautoras desenvolveu um teste laboratorial simples para detectar atividade elevada desses genes de alerta. Outra pesquisadora planeja testar se usar esse exame de sangue para orientar o tratamento pode melhorar a sobrevivência em cães. Os autores afirmam que os achados apontam para exames de sangue que poderiam ajudar a guiar decisões de tratamento mais personalizadas tanto na medicina veterinária quanto na humana. O trabalho foi publicado em Scientific Reports. Fonte: Tufts University.
- Genes ligados a melhor desfecho: CD1E, CCL14
- Genes ligados a pior desfecho: TBHD, NPNT, ISG20
Palavras difíceis
- linfoma — tumor que começa no sistema linfático
- anticorpo — proteína que reconhece e liga antígenos
- atividade gênica — medida da expressão dos genes em células
- imunoterapia — tratamento que usa o sistema imunitárioimunoterapias
- recidiva — retorno da doença depois do tratamento
- interferon — proteína que sinaliza respostas imunes no corpo
- ensaio clínico — estudo que testa tratamentos em participantes humanos ou animais
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Perguntas para discussão
- Como testes que medem atividade gênica no sangue poderiam mudar o tratamento de pacientes idosos? Explique com razões.
- Que vantagens e limitações vê ao usar cães de estimação em ensaios para desenvolver tratamentos humanos?
- Se um exame mostrar atividade elevada de genes estimulados por interferon, que mudanças no plano de tratamento você consideraria, com base no texto?
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