Ativismo juvenil na Argentina: ruas e redesCEFR B2
18/12/2025
Adaptado de Forus, Global Voices • CC BY 3.0
Foto de Mateo Krossler, Unsplash
As manifestações que surgiram na Argentina em 2024 evoluíram para um movimento juvenil amplo, alimentado por medidas de austeridade, inflação e cortes no orçamento das universidades públicas no primeiro ano do governo de Javier Milei. Esses cortes foram vistos como risco ao papel das universidades públicas como instrumento de mobilidade social.
Os jovens coordenaram grande parte das ações por meio de redes digitais, em vez de estruturas sindicais ou partidárias. A Marcha Federal Universitaria, realizada em abril de 2024 e replicada em outubro do mesmo ano, difundiu‑se por hashtags como #MarchaFederalUniversitaria e por redes abertas. Plataformas citadas com frequência incluem TikTok, Instagram, WhatsApp e X threads; a organização combinou manifestações nas ruas com vídeos, threads e material gráfico online.
As marchas de massa mostraram participação organizada e independente: dezenas de milhares ocuparam as ruas. Em 17 de setembro de 2025 muitas pessoas marcharam em Buenos Aires pedindo a restauração do financiamento às universidades públicas e melhorias na saúde pediátrica. Campanhas anteriores, como a Marea Verde (em torno de 2015–2020) e o movimento Ni Una Menos (desde 2015), mostram precedentes de coordenação nacional e de dinâmicas autônomas. Em outubro de 2025 milhares reuniram‑se em Buenos Aires exigindo justiça para três jovens cuja tortura e assassinato foram transmitidos online.
Contextos locais e históricos também influenciam o ativismo: as Madres e Abuelas de Plaza de Mayo deixaram um legado desde a ditadura de 1976–1983, e protestos em Entre Ríos para proteger áreas úmidas ecoam resistências contra a fábrica de celulose UPM‑Kymmene Oyj (anteriormente Botnia). Líderes alertam contra o risco de um ativismo puramente simbólico; o caminho mais provável parece ser duplo: redes sociais para organizar e construir identidade, e as ruas para mostrar visibilidade e força coletiva.
Palavras difíceis
- austeridade — política de redução de gastos públicos
- mobilidade social — capacidade de mudar de posição socioeconômica
- coordenar — organizar ou dirigir ações em conjuntocoordenaram
- hashtag — etiqueta iniciada por # para identificar assuntos na internethashtags
- autônomo — independente de controle ou direção externaautônomas
- manifestação — ato público de protesto ou reivindicaçãomanifestações
- financiamento — dinheiro ou recursos para sustentar uma atividade
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Que papel as redes digitais tiveram nas mobilizações descritas? Dê exemplos mencionados no texto.
- De que forma precedentes históricos, como as Madres e Abuelas de Plaza de Mayo, podem influenciar os protestos atuais?
- Quais são os riscos de um ativismo puramente simbólico e que estratégias, citadas no texto, podem torná‑lo mais eficaz?
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