Periferias de São Paulo levam carta à COP30CEFR B2
14/11/2025
Adaptado de Liam Anderson, Global Voices • CC BY 3.0
Foto de Bradley Andrews, Unsplash
Ativistas das periferias de São Paulo elaboraram a "Carta das Periferias sobre Compromissos pelo Clima – A Atmosfera Está Tensa!" para apresentar na COP30, que ocorre entre 10 e 21 de novembro de 2025 em Belém, Pará. O texto reúne cerca de 30 propostas e foi assinado por 50 coletivos e 1.000 lideranças comunitárias. Entre os temas estão gestão de resíduos, educação ambiental, moradia digna, economia solidária e saneamento básico.
O documento traz propostas concretas: não ampliar aterros em bairros pobres, criar uma moeda verde para reciclagem e responsabilizar poluidores e autoridades públicas. A carta também recomenda ações comunitárias, como limpeza de córregos, reflorestamento, hortas e fazendas comunitárias, fortalecimento de cooperativas de reciclagem e ampliação de redes de captação de água da chuva. Destacam-se ainda planos locais de adaptação liderados pelas comunidades e redes de apoio para tempestades.
A Frente Periférica pelos Direitos organizou a carta. A frente cresceu a partir de movimentos que atuaram na pandemia para distribuir alimentos, kits de higiene e máscaras. O coordenador Edson Pardinho, 50, que mora no Assentamento Dom Tomás Balduíno, em Franco da Rocha, afirmou que o grupo quer conectar-se com pessoas de outros países e regiões marginalizadas do Brasil. O fundador Mateus Munadas, 34, mora em Itaquera e alerta que a experiência periférica da emergência climática é muitas vezes ignorada.
O manifesto também trata do direito à moradia em APAs e cita ações de autoridades e decisões judiciais recentes. Destaca o trabalho de educadores sociais sobre os ODS e o racismo ambiental, o pedido de proteção dos Guaraní de Tekoá Pyau e impactos locais, como os efeitos da ponte na Estrada Alvarenga sobre a Represa Billings. Jaison Lara, da Casa Ecoativa, advertiu que, se a COP for dominada por diplomatas, o saber de periferias, quilombolas, povos indígenas e ribeirinhos pode ser deixado de fora; ele lembrou a falta de políticas para crianças, apesar da vulnerabilidade a desastres ambientais.
Palavras difíceis
- periferia — zona urbana mais afastada do centroperiferias
- ativista — pessoa que participa de ações sociaisAtivistas
- responsabilizar — exigir que alguém arque com consequências
- reflorestamento — plantio de árvores para recuperar floresta
- economia solidária — sistema econômico baseado em cooperação e ajuda
- saneamento — serviços para água esgoto e higiene
- racismo ambiental — discriminação por fatores ambientais e sociais
- vulnerabilidade — condição de maior risco a danos
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Como a criação de uma moeda verde e a responsabilização de poluidores poderiam beneficiar comunidades periféricas? Explique com razões.
- Que dificuldades práticas as comunidades podem enfrentar ao implementar planos locais de adaptação e redes de apoio para tempestades?
- Por que é importante incluir o saber de periferias, quilombolas, povos indígenas e ribeirinhos nas negociações climáticas? Dê exemplos.
- Que políticas públicas você julgaria mais urgentes para reduzir a vulnerabilidade de crianças em áreas periféricas? Justifique sua escolha.
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