Comunidades e conservação na AMP Manyange Na Elombo CampoCEFR B2
3/12/2025
Adaptado de Leocadia Bongben, Global Voices • CC BY 3.0
Foto de Lesly Derksen, Unsplash
A Área Marinha Protegida Manyange Na Elombo Campo cobre 110.300 hectares ao longo da costa atlântica de Camarões e integra 10 aldeias cujas comunidades dependem das águas e da linha costeira. Em 28 de junho de 2024, o Ministério das Florestas e da Vida Selvagem (MINFOF) apresentou em Limbé um guia para o envolvimento das comunidades, que define papéis locais e recomenda comissões para trabalhar com os serviços de conservação. Antes dessa iniciativa formal, organizações como Tube Awu, The Turtle House e o especialista Jacques Fretey já colaboravam com o conservador Patrick Maballa Sambou para revitalizar a AMP apesar da ausência de um plano oficial.
A carta de gestão sustentável elaborada localmente protege tartarugas marinhas, proíbe o arte de malha fina chamado wakawaka e institui o período de defeso Vilonda nos meses de julho e agosto, em linha com a tradição Iyassa. O Ministério das Pescas e Pecuária confirmou a carta em 2023. As comunidades podem pescar em 24.000 hectares da AMP, enquanto a pesca é proibida num raio de cerca de um quilómetro em torno das Rochas Sagradas da Tartaruga e do Lobo.
O serviço de conservação realiza patrulhas duas vezes por mês, durante duas horas e meia, com uma equipa de oito pessoas que inclui eco‑guardas e membros da comunidade. A Cameroon Wildlife Conservation Society (CWCS) apoiou o monitoramento com uma lancha de 40 KW e GPS por meio de uma iniciativa da Oceans 5, que financiou o projeto inicialmente por três anos com cerca de USD 699.000; a continuação depende de novos fundos e a CWCS não recebe apoio governamental. A fiscalização enfrenta limites tecnológicos e aplicação limitada, apesar de formação pela African Marine Organization e do uso de ferramentas como o Global Fishing Watch. A pesca ilegal permanece grave: entre 2021 e 2023 arrastões e embarcações ilegais passaram entre 800 e 1.000 horas no parque, e três arrastões — Nicolas, Adonia e Erica 1 — pescaram ilegalmente, por vezes desligando o GPS ou ocultando a posição.
Programas de ciência participativa envolvem pescadores na recolha de dados nos pontos de desembarque. Tube Awu registou mais de 40 espécies de peixes na AMP, com 12 espécies na Lista Vermelha da IUCN, e nota uma queda de 44 espécies em 2014 para 32 em 2025 na mesma zona. As tartarugas marinhas nidificam de setembro a maio; Tube Awu forma e paga monitores comunitários, gere uma creche e reporta 30.000 tartarugas libertadas desde 2015. As contagens de ninhos foram 56 (42 assegurados) em 2023–2024 e 63 (52 assegurados) em 2024–2025, com algumas perdas por cães, aves e caranguejos.
- Principais pressões: pesca ilegal, limites tecnológicos, incerteza de financiamento.
Palavras difíceis
- área marinha protegida — zona costeira com proteção legalAMP
- carta de gestão — documento local que define regras de manejo
- defeso — período em que a pesca é proibida
- patrulhas — ação de vigiar uma área para fiscalização
- monitores comunitários — pessoa da comunidade que observa e regista dados
- pesca ilegal — captura de peixes sem autorização legal
- arrastões — barco ou rede que pesca arrastando o fundo
- financiamento — dinheiro para pagar e manter um projeto
Dica: passe o mouse, foque ou toque nas palavras destacadas no artigo para ver definições rápidas enquanto lê ou ouve.
Perguntas para discussão
- Como a participação das comunidades pode ajudar a conservar a Área Marinha Protegida?
- Quais são os principais limites à fiscalização mencionados no texto e como eles afectam a proteção da área?
- Que medidas poderiam garantir financiamento contínuo para o projeto e apoiar a monitorização a longo prazo?
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